O futuro mais perto dos GAMEMANÍACOS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de junho de 2007
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Quando foram anunciados os consoles da mais nova geração de videogames, todos apostavam na liderança do PlayStation 3, da Sony, que arregimentou milhares de seguidores desde a virada do século, com o PlayStation 2. No entanto, após o lançamento do Wii, da Nintendo, a opinião dos especialistas mudou: a máquina não só muda radicalmente a experiência de jogo como também mexe com usuários que não ligavam tanto assim para o entretenimento eletrônico.
O grande atrativo do Wii é o controle, sem fio e composto por duas peças, um manche e gatilho (o Nunchuk) e um bastão, em forma de controle remoto, com vários botões e direcionais (o Wiimote). Um sensor colocado sobre o televisor capta os movimentos de ambos os periféricos e comunica ao console, que imediatamente apresenta o resultado na tela.
Para quem andava afastado do mundo dos games ou não se interessa, a novidade parece até coisa de ficção científica e o resultado é impressionante, uma tecnologia já pensada anteriormente no mercado mas nunca realizada com tanta eficácia e precisão. ''Sempre gostei de videogame e percebi que o controle revolucionou'', ilustra Rodrigo Bini, 28 anos, bancário e proprietário de um Wii há quatro meses. ''Quando eu jogava, eu sempre fazia assim com o controle, em jogos de nave ou carro, e agora nos jogos de Wii precisa fazer isso'', ilustra, ao mostrar que simulava as direções enquanto utilizava os consoles anteriores.
A possibilidade dos personagens refletirem os movimentos dos jogadores aproxima os usuários do mundo virtual proposto. ''Acho que o que mais se destaca é a possibilidade de interação. Você se sente mais dentro do jogo'', explica Rodrigo. ''É um novo mundo, uma criação'', complementa o pai, o aposentado Luiz Potiguara Bini, de 57.
A desvantagem com relação aos outros consoles fica por conta da temática, mais voltada para o público infantil e a família, e a capacidade, assim como a qualidade gráfica, um pouco inferiores se colocados ao lado de um XBox 360, da Microsoft, ou um PlayStation 3, da Sony. ''Apesar da memória ser inferior, a criatividade nos jogos e no controle compensam'', defende Rodrigo.
Jogadores casuais - O perfil de Luiz, assim como outros até então desinteressados pelo entretenimento eletrônico, tem sido o principal alvo da Nintendo e explicação pela liderança no mercado: o público casual é quem mais aquece as vendas do Wii, que já comercializou mais de 360 mil unidades somente nos Estados Unidos e sequer pode ser encontrado em lojas de Londres, por exemplo.
''Os jogos são fáceis, sem mundos, senhas ou códigos. Não tenho paciência para os outros jogos de computador e gostei desse por causa da interatividade. A fidelidade dos movimentos com os jogos da ''realidade'' é muito grande como o boliche, o golfe'', comenta a fotógrafa Camila Cornelsen Dantas, de 24, que até gosta de videogames e voltou a jogar com o Wii, mas tinha perdido o interesse ultimamente devido à complexidade dos últimos lançamentos.
''Jogava sempre, eu tinha um Nintendo 64 quando tinha uns 10 anos. Mas depois comecei a surfar, andar de skate e deixei o videogame um pouco de lado'', lembra o irmão mais novo de Rodrigo, André Bini, de 17. Hoje, com o Wii, sua opinião mudou um pouco. ''Achei muito legal, bem melhor do que os outros videogames, porque no boxe, por exemplo, o movimento que você faz é igual ao que aparece na tela'', justifica.


