O futuro da literatura infantil
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Nelson Sato <br> Reportagem Local 
A literatura infantil foi, sempre, um tema obrigatório em mesas redondas de encontros literários. Na maioria das vezes, as palestras partiam da importância da iniciação à leitura das crianças ou da responsabilidade dos pais para estimular-lhes o prazer pelos livros.
Nos últimos anos, o assunto ganhou novos contornos com a concorrência das novas tecnologias de entretenimento pela atenção do leitor mirim, obrigando a indústria editorial a incorporar ferramentas mais atrativas a seus produtos para atualizá-la na era digital.
O projeto ''Autores & Ideias'', promovido pelo Sesc do Paraná, abre a temporada 2012 trazendo esse enfoque ao debate. O primeiro encontro terá participação da escritora gaúcha Leticia Wierzchowski e da editora paulistana Júlia Moritz Schwarcz, com mediação de Neuza Ceciliato. Elas falam hoje, às 19h30, no Sesc de Londrina; amanhã, às 19h30, no Auditório da UENP de Cornéio Procópio; e quinta-feira, às 19h30, no Sesc de Maringá.
Inquietação
Várias perguntas têm vindo à tona para realçar a inquietação no segmento. O texto de apresentação do evento traz algumas delas: A renovação tecnológica seria a única possível? E é mesmo necessário reinventar a escrita literária para os pequenos? O que se ganha e o que se perde com os e-books? Como deve se comportar a literatura tradicional diante do avanço de livros eletrônicos que, além de texto e ilustração, também oferecem a seus leitores imagens em movimento, trilha sonora, interatividade extrema?
Como ficam o aprendizado e a compreensão da linguagem em nossa época? E o espaço para o silêncio, para a introspecção, ainda está garantido? Como preparar as escolas para uma possível popularização dessas novidades? Os professores, que já enfrentam tantos problemas, estariam prontos para essas mudanças?
''Olho com otimismo para as novas plataformas de leitura'', diz Leticia, autora de livros infantis e adultos, entre eles ''A Casa das Sete Mulheres'', obra transformada em minissérie pela Rede Globo de Televisão em 2003. ''Antes só havia o papel, hoje há várias possibilidades de imagens e interatividade. A criança participa mais da história, é como quando ela joga videogame e diz: 'morri' deixando de ser uma espectadora passiva para ser protagonista. De qualquer modo, nada substitui uma boa história. Sou mãe de duas crianças, uma de 4 outra de 10 anos. A mais nova me pede: 'mãe, baixa uma nova história pra mim'. Se a história não for atraente, ela não se interessa. O conteúdo precisa ser bom'', assinala.
De acordo com a escritora, a revolução de suportes exige novas habilidades dos ilustradores muito mais do que dos autores. ''Toda história infantil conta com uma concepção visual. Agora ela ficou mais ressaltada'', afirma. Nascida em Porto Alegre (RS), Leticia é autora de 18 livros, seis dirigidos para o público infantil, entre eles ''Era outra vez um gato xadrez'', ''O dragão de Wawel'', ''O menino paciente'' e ''Semente de gente''. Suas obras estão publicadas em países como Alemanha, Espanha, Grécia, França, Itália e Portugal.
Geração superficial
Júlia Moriz Schwarcz, por sua vez, é tradutora e editora dos selos juvenil e infantil da editora Companhia das Letras, uma das mais importantes do País. No site da empresa, mantém uma coluna onde comenta os lançamentos e discute assuntos ligados ao setor. Entre os livros que traduziu para o português estão ''É Um Livro'', de Lane Smith, e ''Branca de Neve'', de Fabrice Turrier.
Para ela, a produção literária voltada para crianças vive a perplexidade dos novos tempos. ''Está complicado por causa da competição das novas mídias de entretenimento que também lidam com a fantasia. Elas trazem uma maneira diferente de raciocínio. O livro é mais linear. Nos jogos eletrônicos a criança clica em um link, abre uma janela, tudo é feito em saltos. Há até um estudioso que defende a tese de que a internet está provocando uma mudança fisiológica no cérebro. Ele chama essa geração de geração superficial'', diz.
Apesar das transformações em curso, Júlia acredita que as histórias publicadas no formato tradicional do livro sobreviverão. ''O mundo da imaginação é supernatural na criança. Ela sempre pedirá para alguém contar uma história porque a fábulação é uma forma de decodificação do mundo que ela vai descobrindo'', avalia.
Júlia observa que o mercado de e-books de obras literárias infantis brasileiras ainda está incipiente no País. Lembra que no ano passado o selo que comanda, a Cia. das Letrinhas, lançou o primeiro título para tablet - uma versão iPad do livro ''Quem Soltou o Pum'', de Blandina Franco e José Carlos Lollo. ''Estão aparecendo uma coisa aqui e outra ali para testar e experimentar aplicativos. É uma tecnologia cara, demorada para ser executada'', salienta. O debate com as duas convidadas promete. Nas três cidades, os encontros terão entrada gratuita.
Serviço:
- Mesa redonda ''O futuro da literatura para crianças'', com Júlia Moritz Schwarcz e Leticia Wierzchowski
Em Londrina
Quando - Hoje às 19h30
Onde - Sala de Espetáculos de Sesc (Rua Fernando de Noronha, 264)
Informações - (43) 3305-7800 ou 3305-7819
Em Cornélio Procópio
Quando - Amanhã às 19h30
Onde - Auditório da UENP
Informações - (43) 3904-1600
Em Maringá
Quando - Quinta-feira (17)
Onde - Auditório do Sesc (Rua Lauro Eduardo Werneck, 531)
Informações - (44) 3262-3232


