O furacão Denzel Washington
O furacão Denzel Washington No ringue do Oscar, a disputa para melhor ator está polarizada entre ele e Kevin Spacey DivulgaçãoDenzel Washington, a caminho da estatueta, se não for atropelado por Kevin Spacey Faltam 10 dias para a entrega do Oscar-2000, e quase não há mais candidaturas a conhecer. Uma das últimas e importantes, revelada no Brasil a esta altura da contagem regressiva, é a de Denzel Washington em O Furacão, a partir de hoje em lançamento nacional, incluindo Curitiba, Londrina e Maringá (veja a programação de cinema na página 5). Em junho de 1966, o pugilista negro Rubin Hurricane Carter era um forte candidato ao título de campeão mundial dos meios-pesados. Quando três pessoas são assassinadas num bar em Nova Jersey, Carter é preso por engano, acusado pelos crimes, julgado e sentenciado à prisão perpétua. Anos mais tarde, ele escreve e publica um livro de memórias, The 16th Round. A obra emociona um adolescente negro e três ativistas canadenses brancos, que iniciam uma campanha para provar a inocência de Carter. O empenho, o esforço e o carinho dos jovens terminam por reabrir o caso. Depois de cumprir 20 anos da pena, Carter é solto afinal. Hurricane tem assinatura de prestígio. Quem está por trás das câmeras é o veterano Norman Jewison, nome com estreitas ligações com o tema dos diretos civis. Dois títulos autorizam o cinéfilo a esperar outra perfomance passional e precisa do diretor: A História de Um Soldado, realizado em 1990 com um Denzel Washington ainda principiante; e o melhor deles, No Calor da Noite, vigoroso drama anti-racista que levou cinco Oscar em 67, inclusive os de melhor filme e ator para Rod Steiger, que agora está de volta no elenco de Hurricane no papel do juiz Sarokin. Poucos atores têm tanto reconhecimento e são tão aclamados por uma única interpretação como Denzel Washington por Hurricane. Do próprio diretor Jewison a crítica mais severa que impôs restrições ao filme, o ator tem sido uma unanimidade. Assim como Kevin Spacey, por Beleza Americana. Os dois vêm disputando diversos prêmios colaterais e a corrida parece equilibrada, com ligeira vantagem para Washington, que ficou com o Globo de Ouro. Mas o favoritismo é de Spacey. Em terceiro, com vários corpos atrás e sem maiores chances, vem Russell Crowe, o executivo engasgado com a fumaça da multinacional sem alma e esmagado pela traição da mídia em O Informante. Furacão oferece ainda uma atração extra, uma audição-nostalgia que deve funcionar como dever de casa para os garotos aspirantes a roqueiros. O título original do filme, Hurricane, é o mesmo da canção de protesto que Bob Dylan fez em 76 imortalizando o pugilista preso injustamente. Ouçam o hit na trilha e confiram por que Dylan é reverenciado ainda hoje como influência seminal. (C.E.L.J.)





