Carlos Eduardo Lourenço Jorge
De Londrina
Especial para a Folha 2
Se você viu o thriller um tanto revelador já sabe do que se trata. ‘‘Risco Duplo’’, em estréia nacional, não esconde suas premissas e vai direto ao ponto. O filme é o que parece, e não aspira nada além de oferecer entretenimento decente, o que de fato consegue. A proposta é transparente e funciona sem maiores problemas como thriller escapista.
Nesta versão de saias de ‘‘O Fugitivo’’ - e Tommy Lee Jones é de novo o implacável policial farejador - a interessante e afinal bem aproveitada Ashley Judd faz Libby, a esposa que cumpriu seis anos por ter matado o marido. Que aliás está vivo e bem, gozando em São Francisco as delícias do dinheiro do seguro obtido com a engenhosa armação da própria morte. Judd foge e cai na estrada atrás do falecido muito vivo, com o oficial Travis Lehman (Jones) em seu encalço. Nos planos da moça também está recuperar o filho pequeno.
‘‘Double Jeopardy’’ reúne e equilibra com eficiência uma série de elementos familiares ao espectador. É filme de prisão, é drama sobre uma vingança, é jogo de gato-rato-e-gato, é manifesto sobre erro judiciário e ainda um filme sobre uma mãe que quer reaver o filho. Tudo, como se nota, familiarmente cinematográfico a partir de fórmulas estandartizadas. É um standard , não resta dúvida, mas entregue às platéias com aquela dose de bom senso capaz de amenizar e até reciclar uma coletânea de clichês.
Entre as virtudes do roteiro correto de Robert Benton (‘‘Kramer vs Kramer’’) e da direção idem de Bruce Beresford - longe porém da inspiração demonstrada em ‘‘Conduzindo Miss Daisy’’ - está um elogiável sentido de locação e atmosfera. Louve-se ainda a discreta celebração da vingança, bem mais leve no decorrer da história do que se desenhou a princípio. O título original, ‘‘Double Jeopardy’’, se refere a uma cláusula contida na Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos. O texto, preceito universal de Direito, é definitivo e não deixa dúvidas: ninguém poderá ser condenado duas vezes pelo mesmo crime. Logo...
Miss Judd e Tommy Lee Jones dão conta de suas partes com rara pertinácia. A atriz, em seu primeiro solo integral, é capaz de escolhas e direções certas em todos os momentos. Mergulhada na maioria do tempo em estado de controlado frenesi, Judd oferece esta difícil alternativa que é fazer a platéia realmente acreditar que ela de fato quer alguma coisa. E Lee Jones, ao que tudo indica sem muitas pistas do roteiro, praticamente ‘‘reescreve’’ e subverte seu papel em ‘‘O Fugitivo’’. Seu tipo durão na verdade é pura fachada para um frágil beberrão, que no entanto carrega a ingrata missão de fazer a platéia acreditar na história de Libby. E consegue.
Nos cines Catuaí 3 e 4, em Londrina, as sessões noturnas do filme ‘‘Risco duplo’’ terão intervalo. Para evitar o inconveniente, o espectador deve preferir as sessões diurnas (confira programação nesta página).‘‘Risco Duplo’’, com Ashley Judd e Tommy Lee Jones, procura atrair adultos em temporada dominada por filmes infantis
Reprodução‘‘Risco Duplo’’: com Ashley Judd e Tommy Lee Jones nos papéis de uma esposa fugitiva e um policial farejador

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