O Fora do Eixo na berlinda
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terça-feira, 27 de agosto de 2013
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
O mundo da produção cultural independente foi virado do avesso nas últimas semanas. Tudo por conta de uma entrevista no programa "Roda Viva", da TV Cultura, com participação de Pablo Capilé e Bruno Torturra, ativistas respectivamente dos coletivos Fora do Eixo e Mídia Ninja.
Até então desconhecidas do grande público, as duas organizações ganharam visibilidade tanto nas redes sociais quanto nos veículos da imprensa tradicional, rachando opiniões contra e a favor. Uma avalanche de críticas de ex-colaboradores inundou o Facebook, trazendo à luz as contradições do movimento que se autoproclama libertário.
O Fora do Eixo foi fundado em 2005 como uma espécie de cooperativa de festivais de rock, desdobrando-se posteriormente para a produção de outros eventos culturais. Atuando em cerca de 100 cidades, mantém casas coletivas (semelhantes às repúblicas estudantis), onde moram e trabalham seus integrantes.
No ano passado, o grupo teria movimentado R$ 13 milhões, entre festivais de arte e consultorias. O Mídia Ninja, por sua vez, surgiu como um "braço" do FdE com ações voltadas para transmissões em tempo real de protestos de rua.
Projetou-se durante a cobertura das passeatas de junho. O terremoto das passeatas, porém, levou as duas organizações ao céu e ao inferno em poucos dias. Alvo dos holofotes, tiveram os bastidores devassados.
A lista de queixas e denúncias dos desafetos é extensa, incluindo desde exploração gratuita de trabalho e falta de transparência na utilização de recursos públicos até insinuação de formação de seita e oportunismo político de sua cúpula. No entanto, a "crise" atual vivida pelos grupos é relativizada pelos próprios detratores muitos deles apontam pontos positivos no laboratório de experiências montado pelos dois coletivos.
Seguem nessa linha os entrevistados da Folha2 Marcelo Domingues e André Azevedo da Fonseca. O primeiro é um dos fundadores do Fora do Eixo, do qual se desligou em 2010. Há 13 anos, coordena o festival Demo Sul, em Londrina. O segundo é professor do Departamento de Comunicação da UEL e autor do livro "A Construção do mito Mário Palmério". Sua pesquisa sobre o controverso coletivo foi realizada no pós-doutorado em Estudos Culturais do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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