O "monopólio" das megaproduções cinematográficas que tomavam conta da maioria dos cinemas brasileiros chegou ao fim. Visando aumentar a diversidade de títulos em cartaz e garantir a liberdade de escolha do espectador, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) definiu o limite de 30% para a ocupação de um mesmo filme nas salas dos complexos existentes no País. A medida começou a valer no último dia 1º.
Antes de emitir a determinação, a Ancine realizou entre julho e dezembro do ano passado oito reuniões com representantes das maiores empresas do setor. Um termo de compromisso foi assinado no dia 10 de dezembro por 23 grupos exibidores e seis distribuidores. O documento estabelece que um mesmo filme não pode ocupar mais que duas salas de um complexo com até seis salas. O limite segue a mesma legislação que rege o mercado cinematográfico francês, usado como parâmetro pela agência brasileira.
O acordo vai impedir que ocorra situações como na ocasião do lançamento de "Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1", que no mês de novembro estreou em 1,3 mil salas das 2,4 mil existentes no Brasil. Só em Londrina, o longa-metragem ocupou 14 das 26 salas da cidade – o equivalente a 53%, superando a média nacional.
Para o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, o compromisso firmado pelos agentes econômicos é histórico: "O acordo é resultado de um processo regulatório moderno e democrático, porque parte da premissa de que compete ao Estado cumprir a função de acompanhamento do mercado audiovisual, compartilhando as falhas encontradas e convocando os agentes do setor e a sociedade para dialogar e construir soluções para corrigi-las", afirma.
"Desde que assinamos o acordo passamos a cumprir a determinação da Ancine. Apoiamos essa medida pois acreditamos que ela será benéfica para o público que terá mais opções de escolha e mais motivação para ir ao cinema", afirma o diretor de programação da rede Cinesystem, Carlos Maurício Sabbag, que participou das reuniões promovidas pela Ancine.
Na avaliação dele, mesmo com um número de salas menor exibindo um grande lançamento, o público que aprecia os blockbusters não será prejudicado. "Geralmente são lançadas duas ou três megaproduções por ano. E as filas costumam se formar somente na semana de estreia. Para esse público ávido por novidades, vamos continuar promovendo pré-estreias nas madrugadas de quarta para quinta-feira", adianta Sabbag.
Para garantir a efetividade da medida e evitar desequilíbrios entre exibidores concorrentes, a Ancine deve adotar alguma forma de salvaguarda regulatória, como a previsão de uma cota de tela adicional para filmes brasileiros a ser observada pelos exibidores que não aderirem ou descumprirem o pacto. (Com Agência Estado)

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