O fim do calendário maia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Chega enfim, neste final de semana, a opção entre os blockbusters do ano para os amantes do ''cinema-catástrofe''. ''2012'', que especula sobre a enigmática data final do calendário maia, entra no circuito nacional alardeado por imagens de tsunamis destruindo cidades como Washington, Los Angeles e Rio de Janeiro.
Bom, antes de mais nada, faz-se necessária uma preparação física e mental: o longa é comprido, são 2h40 de projeção. A história começa brincando com passagens temporais, ilustrando um pouco as profecias dos maias e o alinhamento de planetas do sistema solar, o que causaria impacto devastador na natureza terrestre.
Nesse cenário, surgem pequenos núcleos dramáticos, como o do escritor Jackson Curtis (John Cusack), que, ao sair para um passeio com os filhos, descobre informações perturbadoras sobre o vindouro 21 de dezembro de 2012, a partir das teorias conspiratórias do radialista Charlie Frost (o sempre divertido Woody Harrelson). Em outro segmento, o geólogo Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor) tenta encontrar, com a chancela do presidente dos Estados Unidos (Danny Glover), uma forma de minimizar as consequências da inevitável tragédia.
O longa investe no que todo amante do cinema-catástrofe adora: os efeitos especiais. São cenas de fuga com explosões no último minuto, erupções vulcânicas, terremotos e tsunamis, o deleite gráfico que a cartilha de um filme de ação recomenda. Só, que, em meio a esse fantástico show visual, o público vai se afastando das especulações sobre o calendário maia e dos próprios personagens, com motivações rasas e reações artificiais frente ao ''fim do mundo''.
O roteiro é naturalmente cheio de buracos, já que a ciência do diretor Roland Emmerich, a exemplo de ''Independence Day'' e ''O Dia Depois de Amanhã'', só se relaciona com a realidade quando a narrativa exige o mínimo de nexo. Os diálogos, cheios de frases de efeito e sentimentalismo familiar, são apenas ''momentos de descanso'' entre os intercalados videoclipes de destruição.
O filme, que custou US$ 200 milhões, deve recuperar o investimento devido à fórmula fácil de digerir e os espetaculares efeitos especiais. Claro, tudo bem acompanhado por uma forte campanha de marketing. Há até mesmo planos para uma série de tevê, que acompanharia o cotidiano dos sobreviventes pós-2012. No entanto, quem se contenta em aguçar a curiosidade sobre a misteriosa data pode se sentir mais satisfeito assistindo aos divertidos programas sensacionalistas do The History Channel.


