O FIM DA 'SESSÃO BRASIL'
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de dezembro de 2001
Rodrigo Souza Grota<br>De Londrina 
O cinema brasileiro, desde o seu advento no longínquo ano de 1897, no Rio de Janeiro, tem um mal insolucionável - a exibição. Poucos conseguem ver o não muito que se produz no País. Em Londrina, ao menos nos últimos três anos, um projeto conseguiu trazer à cidade cineastas como Beto Brant, Guel Arraes, Daniel Filho, Laís Bodansky, Luis Villaça, Lucas Amberg e Guilherme de Almeida Prado, e intérpretes de certo renome (Othon Bastos, Denise Fraga, Selton Mello, entre outros). Esse projeto foi o Sessão Brasil (SB), idealizado e mantido pelo londrinense Caio Julio Cesaro e que agora chega ao seu fim.
Após trazer 9 longas e quatro curtas nos três últimos anos - ''A Hora Mágica'', de Prado; ''Ação Entre Amigos'', de Brant; ''Por Trás do Pano'', de Villaça; ''Caminho dos Sonhos'', de Lucas Amberg; ''O Tronco'', de João Baptista de Andrade, ''Mauá - O Imperador e o Rei'', de Sérgio Rezende; ''Auto da Compadecida'', de Arraes; ''A Partilha'', de Filho; ''Bicho de Sete Cabeças'', de Bodansky; e os curtas ''Outros'' de Gustavo Spolidoro, ''Aldeia'' de Geraldo Pioli, ''Almas em Chamas'' de Arnaldo Galvão e ''Amassa que Elas Gostam'' de Fernando Coster -, Cesaro explica que não continuará com o projeto pois parece não haver interesse da cidade: ''''A lei de incentivo, como o próprio nome diz, deve ser de incentivo. Do jeito que está, a lei banca o projeto. Eu acreditava que o sucesso da Sessão Brasil estimulasse empresários londrinenses a investir no projeto, fora da lei de incentivo, mas isto não ocorreu''.
Em Curitiba, entretanto, o projeto deve continuar: ''O produtor executivo do SB em Curitiba é Antônio Carlos Domingues, e ele me disse que vai inscrever o projeto na lei de incentivo de lá'', relata. Em Londrina, a exibição dos filmes eram sucedidas por debates com os realizadores, o que rendeu boas conversas na Universidade Estadual de Londrina e Universidade do Norte do Paraná, a Unopar, iniciativa inédita na cidade.
Cesaro faz um balanço positivo do projeto: ''Trouxemos filmes que não viriam para o circuito tradicional de Londrina; trouxemos cineastas e atores que talvez nunca viriam, deixando-os mais próximos da cidade; criamos um público para o cinema brasileiro; enfim, mostramos a pluralidade que hoje caracteriza a produção nacional''.
Nesses três anos, Cesaro teve patrocínio do Banestado, além do apoio cultural da Lei de Incentivo à Cultura de Londrina, Sercomtel, Praticomida, Top Brasil, Rio Sul, UEL, Unopar, Cines Catuaí, Tática Comunicação, NET e Banestado. Embora em tom lastimoso, Cesaro avisa que se algum empresário se interessar ele estará disposto a retomar o projeto. O custo para uma edição do SB oscila entre R$ 5 e 8 mil. O contacto pode ser feito pelo e-mail: [email protected]


