Vivian de Albuquerque
Depois de já ter se apresentado em países como os Estados Unidos, a Alemanha, a Venezuela e a Argentina, o instrumentista paulista Stenio Mendes ocupa, pela primeira vez, o palco da Igreja Matriz antoninense. Ele é atração de hoje na 9ª edição do Festival de Inverno da Universidade Federal do Paraná, que acontece até amanhã em Antonina, no litoral paranaense.
Integrante de vários grupos de rock dos anos 60, Mendes iniciou sua carreira solo em 1972, compondo músicas para craviola (instrumento de doze cordas). O reconhecimento veio em 1981, quando recebeu o troféu ‘‘Villa Lobos’’ como melhor instrumentista do ano, e o troféu ‘‘Discovisão’’, no Festival de Canela, no Rio Grande do Sul.
‘‘Eu consegui trabalhar, na craviola, uma afinação diferente’’, conta Mendes. ‘‘E assim, no meu show, misturo um pouco do folclore brasileiro com ritmos orientais e a percussão vocal do corpo, como estalos e batidas de mão’’, explica.
Em Antonina, o show, mostrando apenas um pouco deste talento, acontece a partir das 20 horas. O evento faz parte de uma programação que desde o início vem movimentando o espaço alternativo da igreja da cidade.
‘‘Se Antonina inteira recebe o evento, a igreja católica não poderia ficar à parte’’, justifica o padre André Luis Buchmann de Andrade, responsável pela paróquia de Nossa Senhora do Pilar da Graciosa. Ele lembra que a instituição sempre foi ligada à cultura, acolhendo, ao longo dos séculos, várias manifestações de arte do município.
Assim que termina a missa das 18 horas, e depois de se despedir dos fiéis, um a um, o padre André retira as hóstias do altar e as guarda em outro sacrário, autorizando o início dos espetáculos. Ontem, com o espaço lotado, foi o dia da Orquestra de Violões do Paraná, sob a regência de Norma Einsiedel. Sucesso que, com certeza, deve se repetir também hoje com Stenio Mendes.
‘‘É a primeira vez que eu venho para cᒒ, diz o instrumentista. ‘‘E para mim está parecendo um outro mundo, com toda esta atmosfera artística. Além disso, o fato de tocar dentro de uma igreja é como se fosse uma consagração do meu trabalho. Como atuo com os tibetanos e os gregorianos, acho que vai dar uma química muito interessante’’, garante.

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