Zeca Guimarães‘‘For All’’, de Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz, conquistou o prêmio de melhor filme brasileiroEm 25 anos de história, o Festival de Gramado jamais havia flagrado o cinema brasileiro em momento tão significativo. E delicado. Muito mais importante do que deitar sobre os louros de mais uma missão bem cumprida ou gravitar em torno dos méritos ou deméritos dos vencedores da mostra competitiva nacional é aproveitar o ímpeto da maré renascentista e partir para a conquista de mais e ainda melhores condições de produção. Por isso, a palavra-chave desta 25ª edição foi captação. No palco do Palácio dos Festivais, nos créditos de abertura dos filmes concorrentes, nas mesas de restaurantes, nas coletivas e debates; nas conversas de pé-de-ouvido, nas esquinas da cidade e nos corredores de hotéis, sob o sol inclemente que castigou a serra gaúcha, nos encontros oficiais e oficiosos entre gente do poder e gente do fazer cinema - o principal se resumiu na captação de recursos, nas muitas e diversas maneiras de viabilizar frente às câmeras meios para que a retomada não seja comprometida.
Lei Rouanet, Lei do Audiovisual, leis de assembléias estaduais, prêmios-estímulo, incentivos de prefeituras, secretarias de cultura, entidades cinematográficas, pólos regionais: o dinheiro, espremido, vem saindo com dificuldade de fontes conhecidas e às vezes até improváveis.
E se por um lado é tudo ainda muito complicado, penoso, heróico, por outro a coisa não parece menos difícil. Vencida a primeira fase da batalha, isto é, viabilizar a produção, a etapa seguinte é outro obstáculo não menos gigantesco: fazer chegar às telas o filme já pronto e acabado. Chamado ao palco sábado à noite para anunciar o melhor filme latino do Festival, o coordenador-geral do Festival, Esdras Rubin, acenou com
boas novas a partir do encontro que distribuidores, exibidores e realizadores tiveram em Gramado. Ainda não são inteiramente conhecidas as bases do acordo celebrado entre os que fazem e os que permitem que os filmes cheguem ao grande público. Segundo Esdras Rubin, o 25º Festival de Gramado - Cinema Latino e Brasileiro pode ser um marco nessas sempre desgastantes e infrutíferas negociações. Como ninguém ignora, abrir espaços no mercado exibidor sempre foi o calcanhar-de-aquiles no processo cinematográfico brasileiro. Entulhadas pelo similar estrangeiro, as salas de cinema no Brasil sempre foram uma espécie de tabu para o produto nacional. Isto agora pode estar mudando. É aguardar, com ambos os pés atrás. E se bons ventos de fato ocorrerem, mudando este panorama, é bom que o pessoal da atual linha de remontagem do cinema brasileiro tenha também um boom de idéias interessantes para materializar na tela. Coisas mais consistentes do que a alarmante vacuidade de ‘‘Foor All - O Trampolim da Vitória’’.

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