Sucursal de Curitiba

Paquito/divulgaçãoO espetáculo ‘‘U Fabuliô’’, escrito e dirigido por Hugo Possolo, será apresentado hoje, às 16 horas, no Parque BariguiHoje é o último dia do 6º Festival de Teatro de Curitiba. Tem ‘‘U Fabuliô’’ no Parque Barigui, ‘‘Piolim’’ no Sesc da Esquina e ‘‘Um Deus Cruel’’ no Teatro da Reitoria. São as peças que estrearam ontem e fecham o encontro que movimentou a cidade durante 11 dias com mais de 20 títulos em nove diferentes espaços.
Nem todos os espetáculos foram do agrado do público. Este festival, especialmente, ajudou a detectar que alguma coisa está acontecendo com a platéia curitibana. Geralmente tomada como exigente e um verdadeiro laboratório, na vivência ela se mostra o contrário da fama.
Dócil, levanta-se para aplaudir de pé tudo que vai ao palco. O FTC versão 97 abrigou espectadores que responderam com apupos àquilo de que não gostaram. Os atores de ‘‘Opus Profundum’’ que o digam.
Não houve este ano as consultas sobre o gosto do público, como ocorreram em anos anteriores. Se tivesse é bem provável que as respostas soariam menos adocicadas, baixando a média das notas. Nem a única peça paranaense, ‘‘Nora - Casa de Bonecas’’, foi poupada na estréia. Depois de um festival de erros e imprevistos, o público permaneceu sentado. Levantou-se apenas quando a atriz principal, a ótima Thaís Tedesco, surgiu dos bastidores. Crítica mais evidente, impossível.
As três últimasSó para lembrar, um resumo de cada um dos três espetáculos deste dia. ‘‘U Fabuliô’’, escrito e dirigido por Hugo Possolo, é uma viagem no tempo e no insólito. O medievalismo e o final do milênio juntam-se na encenação, numa clara mostra de que a alma humana não é afetada pelos séculos. Os valores, sejam eles quais forem, são sempre os mesmos, independentes de épocas.
A narrativa de contos medievais franceses é feita por um vendedor ambulante de uma grande cidade dos dias atuais. Acompanha-o um séquito de dementes que tocam instrumentos musicais estranhíssimos. Os casos que eles contam não têm tempo nem geografia. No final resta um apelo do grupo à esperança.
‘‘Um Deus Cruel’’, de Alberto Gusik, e direção de Alexandre Stockler, é um mergulho na arte teatral. Traz ao público mais inocente, que imagina que vida de artista tem o glamour desenhado em revistas populares, algumas verdades. A dureza de se viver da representação não é fácil, mas nem tudo é tragédia. Pode-se rir muito, depende do ângulo como a história é contada.
‘‘Piolim’’, com o Grupo Parlapatões, Patifes e Paspalhões, é uma homenagem ao palhaço Piolim. Foi uma figura lendária no circo e nas gerações passadas. Divertiu muita gente, espalhou sentimentos e poesia, como convém aos melhores palhaços. Morreu de forma trágica: engasgou-se com uma bala. O espetáculo que coloca o artista sob alegres refletores não quer dramas: ‘‘Piolim está morto. Vivo no céu!’’. Não é o fim, mas o começo de uma história que vai se desenrolar lá em cima. Ele agora é um anjo que vela por todos que continuam no picadeiro da vida.
q U Fabuliô - texto e direção de Hugo Possolo. Hoje às 16 horas no Parque Barigui.
q Um Deus Cruel - de Alberto Gusik. Hoje às 20 horas, no Teatro da Reitoria. Ingressos a R$ 17,00 e R$ 10,00 (estudante).
q Piolim - de Perito Monteiro, direção de Neyde Veneziano. Hoje às 20 horas, no Teatro do Sesc. Ingressos a R$ 17,00 e R$ 10,00 (estudante).

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