Uma fábula musical que visita o desconhecido, desafia o assustador e encontra em um fantasma os mais nobres sentimentos humanos. Essa pode ser a descrição da adaptação da famosa novela ''O Fantasma de Canterville'', de Oscar Wilde, que estréia amanhã na forma de ópera infanto-juvenil, mais leve que o tradicional, no Teatro Guaíra, em Curitiba.
O escritor irlandês Oscar Wilde, que escreveu também o célebre ''O Retrato de Dorian Gray'', foi um dos responsáveis por popularizar em todo o mundo o culto britânico pelos fantasmas, em textos que misturam suspense e romance. A adaptação vai pelo mesmo caminho. ''Acho que o sucesso dessa história vem da infância, da curiosidade, do culto ao desconhecido. Na Inglaterra eles têm esse culto aos fantasmas, coisas como o Stonehenge'', comenta o maestro responsável pela orquestra da ópera que estréia hoje, Jaime Zenamon. A montagem tem ainda a soprano Denise Sartori e José Roberto Frega, responsáveis pelo roteiro.
Em ''O Fantasma de Canterville'', o embaixador norte-americano Hiran Otis e sua esposa Lucrécia mudam-se com os quatro filhos para Londres, onde decidem comprar uma propriedade no Parque de Canterville. O local é assombrado pelo fantasma de Simon Canterville, responsável pela morte da esposa. A família ignora o aviso e enfrenta as investidas de Simon, que acaba encontrando a redenção na compaixão de Virgínia, filha do casal Otis.
A adaptação para o formato de musical, segundo Zenamon, foi uma árdua tarefa, especialmente porque a proposta é de levar um espetáculo mais leve do que as tradicionais óperas. ''É uma fusão de musical e ópera, que acho muito pesado, mais dramática. Na ópera as pessoas cantam meia hora, o personagem fica morrendo durante meia hora. Nós fizemos de um jeito que ficou mais leve, tem balé, efeitos sonoros e boa música, em uma hora de duração'', conta Zenamon, que iniciou o projeto no passado e levou seis meses montando o espetáculo.
A preocupação em suavizar o tom da obra original para conquistar o público vai além de simplesmente levar crianças para as óperas. ''Não é uma obra específica para crianças, é uma obra do gênero fantástico de um dos maiores escritores de todos os tempos. Estamos com uma falta enorme de formar o público de amanhã e o espetáculo serve também para isso'', observa o maestro.
O final da peça foi alterado para acomodar a leveza da proposta dessa adaptação. ''O final é uma surpresa. Ópera é uma coisa boa, que costuma estar em cartaz em São Paulo, mas que raramente se faz em Curitiba e essa é uma boa oportunidade de ver'', convida.

SERVIÇO
- O Fantasma de Canterville
Quando - Amanhã, 21h, e Domingo, 18h
Onde - Teatro Guaíra, em Curitiba
Quanto - R$ 30 e R$ 15 (meia)
No domingo a entrada é gratuita

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