São Paulo, 01 (AE) - Baseado num fato real, a história de um jovem americano preso por porte de drogas na Turquia, "O Expresso da Meia-Noite" deu a Oliver Stone o Oscar de roteiro. É um filme de Alan Parker, cineasta de estilo quase sempre publicitário, que aqui ingressa nas veredas de Elia Kazan, tratando do tempo das paixões humanas que se recusam a ser represadas. O herói, interpretado por Brad Davis, conhece o inferno na cadeia. Numa cena, reencontra a namorada. Separado dela pelo vidro, não resiste e termina masturbando-se. É um momento forte num filme que tem admiradores. Para eles, é cult.
Os outros dois filmes que completam o pacote são os mais fracos. "O Sol da Meia-Noite", de Taylor Hackford, é dramalhão à moda antiga sobre guerra fria e balé. Mikhail Baryshnikov faz um bailarino russo que se exilou no Ocidente. Seu avião faz um pouso de emergência numa base soviética (no tempo em que ainda havia URSS), ele é reconhecido e preso. É quando entra em cena Gregory Hines como um bailarino americano simpatizante do comunismo, que é designado para reeducar o outro. Terminam compartilhando o mesmo sonho de liberdade e um plano de fuga.
"Horizonte Perdido", de Charles Jarrot, é a versão musical do filme de Frank Capra nos anos 30. Baseia-se no romance de James Hilton sobre a utopia de Shangri-La. É tão ruim que, se o ridículo matasse, privaria o espectador da grande arte de Liv Ullman, nunca tão desperdiçada.

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