Curitiba - A palavra ‘‘charlatão’’ vem do italiano (‘‘ciarlatano’’) e, segundo o dicionário, significa, entre outras coisas, impostor, embusteiro, trapaceiro, explorador da boa-fé do público, ou ainda, vendedor público de drogas cuja virtude apregoa com exagero. Artistas, críticos e produtores culturais de Curitiba estão promovendo no Sesc Centro o evento ‘‘Os Charlatões’’, em que pretendem discutir e mostrar um pouco da produção musical de Curitiba.
O evento terá exposições de fotografias, cartazes e capas de CD, exibição de filmes e vídeos, lançamento e venda de livros e fanzines, shows e debate, muito debate sobre a cena musical curitibana. ‘‘Os Charlatões’’ começou nesta semana e vai até o dia 5 de julho, sempre a partir das 17h30 em diante.
‘‘Este é um evento reflexivo, que chega no momento em que a crise é pretexto para a criação de um novo cenário artístico’’, afirma Manoel J. de Souza Neto, 28 anos, historiador, crítico, artista gráfico e digital, fotógrafo, produtor do programa Garage e agitador cultural, como ele mesmo se define. É também colecionador de tudo o que envolve a música em Curitiba. Tem 20 mil páginas de documentos, 8 mil folhetos e cartazes de eventos e shows, 4 mil gravações de bandas, 2,5 mil fotos, 1,5 mil publicações, mil grupos e artistas cadastrados na história.
‘‘A questão é: Quem são os charlatões? O governo, as instituições culturais, a indústria fonográfica, a mídia, a sociedade, os artistas ou nós?’’, perguntam-se os produtores. Para responder a esta questão eles estarão promovendo uma série de debates sobre a cena musical curitibana.
Ao todo serão quatro exposições, dez shows com artistas locais diferentes e dez mesas redondas com assuntos variados como ‘‘A receptividade do curitibano às iniciativas locais’’, ‘‘Por que a Cidade Sorriso não sorri para os artistas locais?’’, ‘‘Considerações sobre a crítica cultural na imprensa e nas premiações competitivas’’, ‘‘O valor do rock na cultura contemporânea’’ ou ‘‘O espaço na mídia para artistas locais’’.
Produtores, incentivadores e patrocinadores que atuam em Curitiba também estarão presentes para conversar com os artistas e trocar experiências que podem ser proveitosas para todos os lados. A entrada será franca em todos os dias.

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