O eterno Jeca Tatu
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segunda-feira, 02 de abril de 2012
Fabiana Schiavon e Lúcia Valentim Rodrigues <br> Folhapress 
São Paulo - Amácio Mazzaropi (1912-1981), que marcou o cinema brasileiro com a figura do Jeca Tatu, completaria cem anos no dia 9 de abril. Para comemorar o seu centenário, foram montadas mostras de cinema em São Paulo e eventos em Taubaté (a 130 km da capital), cidade onde o artista viveu a maior parte de sua vida.
A partir de hoje, a Cinemateca de São Paulo exibe 12 longas que marcaram a trajetória do artista paulistano. ''A partir do nosso acervo, selecionamos os títulos mais importantes, como 'Sai da Frente', o primeiro longa do comediante, em que já aparece a figura do caipira, o personagem Candinho, que evoluiria para o Jeca Tatu'', conta Rafael Carvalho, programador da Cinemateca.
Em Taubaté, para onde se mudou quando criança, haverá uma semana de eventos, com shows, debates, exposição e apresentação de filmes em praça pública (a programação está em www.centenariomazzaropi.com.br).
Caipira sim, trouxa não
Mazzaropi começou sua carreira no rádio, passou pela televisão, mas, depois do primeiro filme, em 1950, não saiu mais do cinema. Chegou até a criar a sua própria produtora, a Pam Filmes, em 1958, que teve início com o filme ''Chofer de Praça''. ''Todo o dinheiro que ele recebia gastava com equipamentos e produção. Ele queria criar uma indústria do cinema no Brasil'', conta Soleni Fressato, autora do livro ''Caipira Sim, Trouxa Não'', que fala sobre a importância do trabalho do artista e do seu personagem.
Massacrado pela crítica na época, Mazzaropi é sucesso de público até hoje. ''Na época do lançamento dos filmes, havia quarteirões de fila. O próprio Mazzaropi disse que seu talento só seria valorizado depois de sua morte. E foi exatamente o que ocorreu'', afirma Soleni.
Mão de ferro
O diretor Virgilio Roveda, 66, que trabalhou com Mazzaropi nos últimos filmes, conta que ele era muito exigente no set. ''Era um mão de ferro como empresário, mas era muito engraçado como artista. Muitas vezes, a gente tinha de segurar o riso e, quando gritavam 'corta', a turma rachava o bico.''
Roveda diz que ele testava as piadas em suas apresentações de circo. ''Assim ele ajudava os amigos antigos e fazia laboratório. Quando estreava no cinema, já sabia o que funcionava com o povo.''
O produtor Galileu Garcia, 83, relembra a estreia de ''Sai da Frente'', no Cine Marabá. ''O centro da cidade ficou intransponível para os carros. E, quando aparecia o nome dele nos letreiros, a plateia já caía na risada.''
O diretor e montador Maximo Barro, 82, que participou de ''As Aventuras de Pedro Malazartes'' (1960), diz que ele fazia ''um Charles Dickens à la Mazzaropi''. ''Representava não só o homem que trabalhava com a enxada como quem tinha migrado para a cidade grande.''
André Luiz de Toledo, 54, filho de criação de Mazzaropi, diz que neste ano vão ser feitos dois filmes sobre ele. O legado do Jeca continua.


