O espumante faz a festa


Marian TrigueirosReportagem Local
Marian TrigueirosReportagem Local
O espumante, servido gelado, é ideal para nosso clima pelo frescor e a acidez
O espumante, servido gelado, é ideal para nosso clima pelo frescor e a acidez | Fotos: Gina Mardones/ Locação: Restaurante Serafinni



Fim de ano é sinônimo de comemoração. Além das diversas confraternizações empresariais e de amigos, as festas de Natal e Réveillon não ficam fora da lista de quase ninguém. E, nestas ocasiões, o que não falta é comida e bebida. Porém, diferentemente de países europeus e da América do Norte, no Brasil faz muito calor nessa época e, por isso, é preciso saber escolher tanto os ingredientes (para que sejam de época) quanto as bebidas que, se forem alcoólicas, combinam ou não com determinados pratos. Keli Bergamo, palestrante e professora de enogastronomia da Menu – Escola de Gastronomia, especialista em vinho e espirituosos pela Wine & Spirit Education Trust, aconselha que, devido ao verão intenso do país, a bebida que mais combina com as datas festivas é o espumante. "São perfeitos para o nosso clima pelo frescor e acidez, pois podem ser servidos gelados (de 6 a 10 graus), com pedrinhas de gelo ou como base de coquetéis leves".

Para ela, apesar de ser uma escolha pessoal, nenhuma outra categoria tem tanta capacidade harmonizatória como os vinhos. "A expressão aromática encanta, as sensações provocadas quando degustados com os alimentos surpreendem. Para as festas de final de ano, quando temos mesas fartas, com alimentos dos mais variados sabores, texturas e cocções, recomendo (além dos espumantes), vinhos um pouco mais neutros (nem tão leves nem tão amadeirados e encorpados). Se pudesse escolher apenas um rótulo, optaria pelos rosés com uma boa estrutura como os geralmente produzidos na Argentina, Chile, Itália, Espanha e Portugal". Por isso, ela sugere que, em jantares menores, o ideal é começar pensando no vinho e desenvolver o menu a partir dele. "Harmonizar valoriza toda a refeição".

DIFERENÇAS
Apesar de ambos serem vinhos, borbulhantes, espumantes e frisantes possuem diferenças no método de produção. "No caso dos frisantes, proporciona menor concentração de gás carbônico durante a fermentação, enquanto nos espumantes, o processo leva a formação de borbulhas mais finas e intensas. No Brasil ainda temos o agravante de que nem todos os frisantes que chegam às prateleiras são naturais, mas produzidos com carbonatação. Minha dica, portanto, é procurar bons espumantes. É bom lembrar que champagne refere-se ao espumante produzido exclusivamente na região de mesmo nome, na França". Entre eles, a especialista indica Dos Natures (com menor concentração de açúcar) aos Moscateis (mais doces). "Existem excelentes rótulos em todas as faixas de preço, especialmente dentre os brasileiros", destaca.

Depois das refeições, quando geralmente as pessoas exageram, o costume em muitos países é apreciar um licor antes, ou junto com a sobremesa, apesar de não haver nenhuma pesquisa científica que comprove. "Os licores, assim como os vinhos de sobremesa, são as chamadas "bebidas de contemplação". São ótimos para acompanhar o final da refeição e um bom bate papo, um doce ou queijo azul. Acho que essa pausa em boas companhias é que ajuda na digestão". Licor é uma bebida alcoólica doce, geralmente misturada com frutas, ervas, temperos, flores, sementes, raízes, cascas de árvores ou também cremes.

Keli Bergamo explica o uso das taças essenciais para o clima festivo
Keli Bergamo explica o uso das taças essenciais para o clima festivo



Use bem as taças
Com relação às taças a serem usadas, Keli é bem democrática. "Ninguém deve deixar de tomar um 'vinhozinho' por não possuir um kit completo de taças". Mas a dica para que não quiser errar, portanto, é utilizar taças ou copos com hastes (principalmente por causa do calor), segurando pelas mesmas e evitando, assim, a troca de calor das mãos com o líquido", esclarece. Para os espumantes, a especialista recomenda, em momentos festivos, a taça flûte. "Ela facilita a percepção das borbulhas e torna a bebida ainda mais encantadora", atenta.
No caso dos vinhos, segundo ela, um modelo coringa é o ISO, desenvolvido para degustações técnicas e que facilita a percepção de todos os tipos de vinhos. "Outras opções são as taças 'Bordeaux' para vinhos mais encorpados e tânicos, e 'Borgonha' para vinhos complexos, como os elaborados com a uva Pinot Noir vindos da região que deu nome a esse modelo de taça. Já para os brancos pode-se usar uma taça menor ou servir nos modelos citados, porém, em menor quantidade. Como são servidos a temperatura mais baixa que os tintos, isso inibe a troca de calor e o consumo a temperatura inadequada".

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito

Últimas notícias

Continue lendo