fotos: Agência X/CascavelA grande vistaA geologia do Parque Nacional da Chapada Diamantina começou a ser definida com o próprio surgimento do planeta, e transformou-se quando o mar virou sertão.A Chapada Diamantina, no sertão da Bahia, já brilhou nos tempos dos garimpos de ouro e diamante. Hoje resplandece sob o Sol que ilumina os montes, torna transparentes as lagoas e espalha filetes de luz nos poços das grutas. Conhecer a Chapada (ou retornar) é opção para um número cada vez maior de pessoas.
Este ecossistema distribui seu esplendor nos 84 mil quilômetros quadrados que formam o Parque Nacional da Chapada Diamantina, além de Áreas de Proteção Ambiental. A geologia começou a ser definida com o próprio surgimento do planeta, e transformou-se quando o mar virou sertão. Depois, pouco se alterou nas formações rochosas, enquanto os demais elementos da Natureza foram sofrendo mutações sobre as quais houve pouca interferência do homem, nem mesmo como agente depredador ou poluente que é.
O ecossistema é dividido, para efeitos de roteiro do ecoturismo, em Circuito do Diamante e Circuito do Ouro, o primeiro compreendendo a maior parte do Parque Nacional e os municípios e vilas de Lençóis (principal pólo), Remanso, Andaraí, Igatu, Mucugê e Palmeiras. Neste circuito, onde estão grutas espetaculares, existiram garimpos de diamante. O do Ouro, onde haviam garimpos deste metal, compreende a região polarizada por Rio de Contas - e mais Abaíra, Jussiape e Piatã -, e nele se projetam os montes mais altos do Nordeste.
Do monte às grutas O caminho para a Chapada pode ser pelo Norte de Minas Gerais, passando pelo Triângulo Mineiro e via Montes Claros, ou a partir de Brasília, atravessando Goiás no rumo Leste. Lençóis e Rio de Contas, as principais cidades dos circuitos, estão respectivamente a 412 e 680 quilômetros e a Sudoeste da capital baiana. As rodovias são bem conservadas e seguras. Em Lençóis, está em obras um aeroporto, com pista de 2.080 metros e característica internacional (em pleno sertão), que deve ampliar consideravelmente o fluxo turístico.
Os pontos de visitação obrigatória na Chapada distribuem-se por praticamente todos os municípios, e qualquer roteiro não deve ser desenhado antecipadamente. Agências de viagem são um dos apoios indicados para isso, mas melhor ainda é ir a Rio de Contas e Lençóis, procurar guias (que cobram cerca de R$ 20,00 por dia, mais o carro, a R$ 0,50 por quilômetro), e junto com eles avaliar o que é possível visitar, de acordo com a disponibilidade de tempo - no mínimo, 20 dias para ver o que há de mais expressivo.
A Folha fez opção por um roteiro, com apoio da Bahiatursa, a empresa baiana de turismo (fone 5571-370-8400), e com o guia Marcelo Reis, 27 anos, (fone 077-475-2046), de Rio de Contas, que usa uma Rural para as excursões. Segundo ele, os turistas - brasileiros, europeus e norte-americanos - têm atenção despertada não apenas pelo relevo, hidrografia, flora e fauna e grutas, ‘‘mas também pela história de nossa gente’’. Os chapadenses são herdeiros de um rico passado, dos tempos do ouro e diamante.

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