‘‘O Abajur Lilás’’ foi escrita por Plínio Marcos em 1970. Cinco anos depois foi censurada por motivos políticos e só liberada para encenação no início da década de 80. O texto conta a história de três prostitutas (Dilma, Célia e Leninha) que vivem em um mocó sob o domínio de Giro, um cafetão homossexual, e de Osvaldo, um homem que resolve tudo através da violência.
A montagem do Boca de Baco estreou em setembro de 1996. Este ano, o espetáculo foi praticamente refeito, depois da saída de um dos atores do grupo. A reestréia de hoje traz Beto Passini no papel de Giro, Jackeline Seglin como Dilma, Walter José interpretando Célia e Paulo Munhoz e Nivaldo Lino como Leninha e Osvaldo, respectivamente. A direção é de André Luiz Lopes. A trilha original é assinada pelo músico Mário Loureiro, o cenário e o figurino por Susi Parisotto e Paulo Bernini.
Beto Passini lembra que a entrada de Paulo Munhoz no grupo e as trocas de papéis que foram feitas nesta nova montagem exigiram novo figurino e algumas adequações no cenário, o que deu outra cara ao espetáculo. ‘‘Cada ator faz uma leitura diferente das personagens’’, diz Beto, que concorda com Plínio Marcos ao falar das dificuldades de encenar a peça: ‘‘São dois atores masculinos interpretando papéis femininos, é preciso muito cuidado para não cair nos estereótipos’’,
O ator também ressalta que, embora tenha sido escrito há quase 30 anos, o espetáculo tem um texto muito atual, que trabalha a questão da exploração do poder pelo poder. ‘‘As pessoas que assistem não saem como entraram’’, afirma. Segundo Passini, o Boca de Baco queria prestigiar um autor brasileiro, e o texto de Plínio Marcos acabou cativando o grupo.
• O Abajur Lilás - do grupo Boca de Baco. De hoje até 30 de agosto, sempre aos sábados e domingos, às 21 horas, no Núcleo I (Rua Quintino Bocaiúva, 1.243). Ingressos a R$ 10,00 (estudantes e idosos acima de 65 anos pagam meia).

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