O escândalo ronda uma candidatura
O título brasileiro Mera Coincidência dado à comédia Wag the Dog, não deixa de ser uma grande ironia. O filme, dirigido por Barry Levison fala das atribulações de um presidente dos Estados Unidos que, a duas semanas da eleição na qual disputa um segundo mandato, se vê às voltas com um escândalo que pode levar sua candidatura por água abaixo. Qualquer semelhança com a tão comentada incontinência sexual de Bill Clinton não deixa de ser uma mera coincidência.
Nesta inteligente comédia, o presidente norte-americano é flagrado nos braços de uma garotinha de 14 anos dentro do imaculado Salão Oval da Casa Branca. Com a popularidade do presidente prestes a despencar, a esperta assessora Winifred Ames (Anne Heche), convoca o consultor Conrad Ben (Robert DeNiro)
para manipular os meios de comunicação, transformando azedos limões políticos em uma saborosa limonada. Ao tomar conhecimento do tamanho da crise, Conrad decide que a única solução é inventar uma distração: uma guerra com a Albânia, com a qual ele espera mobilizar a opinião pública em favor de uma causa nacionalista.
Para colocar seu plano em prática, o consultor convoca um dos maiores produtores de Hollywood, o vaidoso Stanley Moss (Dustin Hoffman), que tem a missão de produzir uma guerra, com direito a herói, efeitos especiais e até trilha sonora. Juntos, eles manipulam imagens, criam slogans e transformam um Zé-ninguém em herói. Mera Coincidência não ataca diretamente o atual presidente dos EUA, no entanto, mostra a manipulação dos fatos como algo corriqueiro que qualquer governante utilizaria para manter seu cargo.
E, por tabela, o excelente roteiro de David Mamet e Hilary Henkin faz uma crítica à televisão, mostrando que, como o povo acredita em tudo o que aparece na telinha, é fácil fabricar guerras e heróis do dia para a noite. O diretor Barry Levinson, depois de ganhar o Oscar de Melhor Diretor com Rain Man (91) e errar a mão com os cansativos Sleepers - A Vingança Adormecida e Esfera, mostra estar em plena forma novamente, dirigindo seus atores de maneira natural e muito à vontade.
Anne Heche, Robert DeNiro e Dustin Hoffman também estão ótimos como mestres dos manipuladores. DeNiro está perfeito, passando uma sensação de conforto que há muito tempo não transmitia, mas seu trabalho é ofuscado pelo excelente desempenho de Dustin Hoffman que, no papel de um produtor vaidoso e egocêntrico, dá um show de interpretação. Diálogos inteligentes, atores competentes e uma direção segura fazem de Mera Coincidência um filme divertido e prazeroso de assistir. Lançamento da Warner Home Vídeo. Duração: 97 minutos.DivulgaçãoDustin Hoffman, Anne Heche e Robert DeNiro fazem tudo para salvar o presidente dos EUA de um escândaloCelso Mattos





