Todo artista quer ter seu próprio espaço e seus trabalhos reconhecidos pelo público e pela crítica. E é o que vem conseguindo a artista plástica Mayumi Luppi. Mayumi embarca nesta quinta-feira para New York, onde participa da coletiva ''The Latin American Art Exhibition'' (da qual participa a também londrinense Isabel Santta Cecília). A mostra acontece de 8 a 28 de deste mês, na Agora Gallery, e reúne trabalhos de 12 artistas latino-americanos.
Na verdade, trata-se mais de uma conquista do que de uma oportunidade, já que foi a própria Mayumi quem correu atrás desse espaço internacional. No ano passado, ela levou seu portfólio para a Big Apple e para Boston, e desde fevereiro já figurava como uma das artistas convidadas da L' Attitude Galery, em Newbury Street, uma das vias com maior concentração de galerias em Boston.
Mayumi está participando com três obras em acrílico sobre tela: Wine, Distinction e Authentic. Seus quadros são abstratos, com grande variedade de formas (em especial geométricas) e cores que se complementam. ''Meus olhos estão sempre focando o geométrico e o construtivismo. Gosto de brincar com cores, em especial tons terrosos e neutros, e me interesso muito por decoração de interiores'', comenta.
Não por acaso, seu trabalho vem sendo cada vez mais solicitado por arquitetos e decoradores, que chegam a encomendar determinados formatos com base em outras produções suas. ''Eu busco o equilíbrio estético, a coerência de cores e texturas. Me importa se vai ficar bem com o local. Não precisa ser da cor do sofá e do tapete, mas ter coerência com o ambiente. É o que os arquitetos buscam'', reconhece.
Mas a artista garante que a produção por encomenda não interfere em sua criatividade, já que o fato de os quadros combinarem com o ambiente não é intencional, mas uma característica de seu olhar. ''É uma tradução da minha vivência'', define, acrescentando que sua intenção não é induzir outras pessoas nem transmitir determinadas emoções, mas, sim, proporcionar uma experiência pessoal com cada quadro. ''Tanto que não costumo dar nomes para meus quadros'', comenta.
Trabalhar diretamente com as demandas do mercado também não incomoda Mayumi. ''É preciso ter uma vocação natural para a arte, mas esse dom é apenas uma ferramenta. Fora isso, ser artista é uma profissão como qualquer outra, e por isso eu tento me adequar, do contrário é idealismo. Não adianta ficar só na filosofia se o mercado não absorve. É preciso abrir espaço'', afirma a artista, que vem atuando profissionalmente desde 1999.
E pensar no público na hora de pintar não significa necessariamente se vender a um mercado que há muito vem tratando a arte como mercadoria. ''Há grandes colecionadores que veem as obras de arte como investimento. É um mercado que se criou. Então, não depende do artista, e sim da pessoa definir qual a sua forma de interação com a arte'', pondera.

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