Uma das peças mais encenadas ao redor do mundo é a Paixão de Cristo. A representação da morte e ressurreição de Jesus baseada nos textos bíblicos ocorre há centenas de anos e se tornou uma das maiores manifestações de teatro popular do planeta. Em Londrina, as montagens realizadas por dois grupos ligados a igrejas católicas da cidade envolvem centenas de atores amadores e reúnem milhares de pessoas na plateia todos os anos. Com ares de megaproduções, os espetáculos contam com efeitos especiais, dublagem de voz e cenários gigantescos.
Encenado pelo Grupo da Paz há 35 anos, o tradicional espetáculo "Paixão de Cristo" atrai todos os anos cerca de 30 mil pessoas ao Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa, região central. São cerca de 400 atores amadores em cena enfrentando desafios e superando limites para levar ao palco o mais emblemático e importante episódio bíblico para os cristãos.
A peça retrata vários episódios da vida de Jesus Cristo, incluindo o nascimento, a morte e a ressurreição. "Contamos com atores de zero a 70 anos. Como ninguém tem experiência profissional na área, somos guiados pela intuição", afirma Roberto Gonçalves Dias, um dos fundadores do grupo criado na Paróquia Nossa Senhora da Paz e diretor geral do espetáculo.
No entanto, ele destaca que a encenação foi melhorando ao longo de três décadas de apresentação. "A gente vai vendo o que funciona e o que pode ser melhorado a cada ano. Sentimos que estamos no caminho certo, pois a cada ano nossa plateia aumenta", ressalta.
Pela primeira vez, o grupo amador vai contar com a colaboração de um diretor profissional. "Estou acompanhando os ensaios e pretendo apenas enxugar alguns excessos em cena. Não quero fazer nada que descaracterize o grupo, pois eles têm um entusiasmo e uma verdade na hora de representar que compensa a falta de conhecimento técnico", afirma Wagner Donadio, que trabalha como ator e diretor de teatro desde 1979.

Crescimento pessoal
Comovido com o que viu em cena logo na primeira apresentação do Grupo da Paz, em 1978, o técnico de operações Adilson Biondo decidiu que queria fazer parte do espetáculo mesmo sem nunca ter pensado em trabalhar como ator. "Queria fazer parte daquilo que me emocionou tanto", afirma Biondo, que está se preparando ser protagonista pela primeira vez. "Para dar oportunidade a várias pessoas, trocamos de papel a cada dois anos. Agora chegou a minha vez de viver Jesus Cristo, e estou muito feliz com essa oportunidade."
Participando da peça há seis anos, a auxiliar de confeitaria Karina Souza, 23 anos, sonha em tornar atriz profissional. "Sempre gostei de teatro e dança e quando comecei a atuar na Paixão de Cristo tive a certeza de que é isso mesmo que eu quero pra minha vida. Prestei vestibular para Artes Cênicas este ano e não fui aprovada, mas não pretendo desistir do meu sonho", salienta.
Mesmo não planejando seguir a carreira de ator, Lenner Arizas Vaz, 24 anos, não deixa de destacar os benefícios que o teatro lhe trouxe. "Eu era muito tímido. Somente depois de fazer a peça consegui me livrar da timidez, e isso me ajudou muito em um período em que trabalhava como professor de informática e tinha contato com muita gente", afirma Arizas, que atualmente trabalha como assistente de Recursos Humanos.
E os desafios enfrentados pelo Grupo da Paz não se restringem a questões ligadas à interpretação. Para montar o cenário gigantesco e produzir figurinos, iluminação e sonorização são necessários cerca de R$ 50 mil. "Temos apoio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) que este ano vai colaborar com R$ 24 mil, o restante a gente pede patrocínio a empresas privadas. Graças à credibilidade do nosso trabalho temos conseguido cobrir os custos todos os anos. E mesmo sem ganhar cachê, todos os atores ajudam em todas as etapas da montagem da peça", afirma Dias.

Serviço:
Paixão de Cristo do Grupo da Paz
Quando - 29 de março, a partir das 20 horas
Onde - Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa
Quanto - Gratuito

Paixão de Cristo da Comunidade da Paróquia Cristo Bom Pastor
Quando - 29 de março, a partir das 20 horas
Onde – R. Centenário do Sul, esq. com a R. Nova Esperança
Quanto - Gratuito

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