Arquivo FolhaBjork: mostrando talento mas também um certa repetitividade

‘‘Telegram’’, segundo sua autora Bjork, 31, é o encerramento do ciclo aberto por seu disco anterior, ‘‘Post’’ (1995). Trata-se de uma coletânea de remixes, releituras e ‘‘reconstruções’’ daquele álbum da artista islandesa. Trabalhos dessa natureza costumam resultar enfadonhos aos ouvidos comuns - que não pertençam a DJs, clubbers de carteirinha ou afins. Até é o caso de ‘‘Telegram’’ (só disponível, por enquanto, em versão importada), em diversas passagens.
Acontece que Bjork é Bjork, uma das mais talentosas e idiossincráticas artistas que habitam os anos 90, e quando o resultado dos experimentos é bom, é bom mesmo. É o caso da reinvenção de ‘‘Hyperballad’’, que troca o arranjo ‘‘cyber’’ original por inacreditável construção de cordas e mostra até onde os tentáculos globalizadores de Bjork podem chegar, e de ‘‘Army of Me’’, irreconhecivelmente tecno.
O disco tende ao tédio quando Bjork opta por releituras que pouco modificam as matrizes, como em ‘‘Isobel’’, mix pilotado pelo brasileiro Eumir Deodato, que havia produzido a original e só lhe faz modificações cosméticas. Em termo intermediário ficam faixas como‘‘Headphones’’, ‘‘Enjoy’’, ‘‘Possibly Maybe’’, obcecadas demais pela calmaria perturbada do trip hop, estilo da vez entre os ‘‘quero-ser-muito-chique’’.
ExcessoE são a repetitividade e o ‘‘quero-ser-chique’’ que aproximam Bjork do excesso. ‘‘Telegram’’ não deixa de ser artifício para preencher o vácuo de a artista não ter apresentado nada novo em 1996. Mas nada se compara à caixinha ‘‘Possibly Maybe’’, também recém-lançada, que reúne em três mini-CDs zil versões da mesma música mais alguns bônus.
O mimo vai para DJs e fetichistas - ouvidos comuns fatalmente acabarão a sequência de 12 faixas odiando ‘‘Possibly Maybe’’. É vínculo importante com os 90 - os samplers e remixes de Beck e Bjor avisam que o rock não tem futuro se insistir no autismo. Mas ‘‘Telegram’’ e ‘‘Possibly Maybe’’ não hão de enganar ninguém que esteja à espera das novas flechas de Bjork. Elas continuam guardadas desde ‘‘Post’’.

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