Elegendo com muito cuidado os projetos, na frente ou por trás das câmeras, Robert Redford prossegue em sua singular trajetória como diretor. Seu último trabalho, ‘‘Lendas da Vida’’ , reafirma as qualidades de atento observador da natureza humana e o credencia ainda mais como perito em oferecer relatos bem acabados sobre desafios e superação, na tradição de ‘‘Gente Como a Gente’’, ‘‘Nada é Para Sempre’’ e ‘‘O Encantador de Cavalos’’.
Rannulph Junuh (Matt Damon) foi um jovem campeão de golfe que, depois de viver a traumática experiência de combater na Primeira Guerra Mundial, recolheu-se em si mesmo e assim ficou por longos anos. Em 1930, de volta à cidade natal, Savannah, os notáveis do lugar e a ex-noiva o convencem a disputar um torneio de que vão participar os melhores jogadores do momento. Com a ajuda de um ‘‘caddy’’ (o rapaz que carrega os tacos do jogador) negro, Junuh parte em busca de revelações e de superação.
Como sempre, Redford é aquele liberal humanista que se debruça torrencialmente, afetuosamente sobre seus personagens. Não é, como tantos outros, o diretor das boas intenções sempre inconclusas. ‘‘The Leggend of Bagger Vance’’ traz bem delineadas as marcas registradas de Redford: uma forma elegante mas sem exageros a serviço de uma história que resgata a capacidade de enfrentamento do ser humano colhido pela adversidade. Um filme belo e sereno. (C.E.L.J.)

mockup