Um dos grandes hits de vendas nesse Natal foram os DVDs Players, que segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos, obtiveram um crescimento de 796% em 2.000, em relação ao ano anterior. Londrina não fugiu à regra, o aparelho de DVD foi um dos produtos mais procurados, disputando palmo a palmo com o telefone celular o posto de top de vendas de Natal, principalmente em função do achatamento dos preços dos aparelhos. Um modelo Gradiente DVD10 e DVD12 que chegou a custar R$ 1.600,00 pôde ser adquirido por R$ 695,00.
Esse boom não é um fenômeno isolado brasileiro. O DVD se consolidou como novo suporte para entretenimento em todos os países. No mundo virtual de consumo da Amazon.com, no ranking dos mais vendidos desponta o título em DVD ‘‘O Gladiador’’. Nas locadoras da cidade, além do blockbuster (arrasa quarteirão) do diretor Ridley Scott, ‘‘Mar em Fúria’’, de Wolfgang Petersen, também é disputado pelos cinéfilos. ‘‘Matrix’’, de Andy Wachowski e Larry Wachowski, ainda é imbatível em número de locações.
Sem dúvida, essa pode ser considerada a fase de implantação do novo formato. O produto ainda está se moldando e o mercado ainda é do VHS. As estimativas variam muito, mas o período útil de vida para os filmes em VHS no Brasil pode chegar a oito anos. Entre outros motivos, porque o parque a ser instalado no País ainda é imenso. Uma das preocupações dos proprietários de locadoras é o lançamento simultâneo com os magazines.
O DVD se tornou rapidamente sinônimo de tecnologia e velocidade. Imagens e som de qualidade, com acesso a legendas de vários idiomas, making of, bastidores, fotos, entrevistas com diretores e atores, tudo num mesmo pacote, tem um poder de sedução impactante. O filme nesse novo formato agrega uma série de informações anteriomente não disponibilizadas aos consumidores.
Em Londrina, Odival Benedito de Matos, proprietário da Delta Vídeo & Games, constata o crescimento significativo do DVD, contabilizando 10% do total das locações. Em sua loja, para 8 cópias de ‘‘Gladiador’’ em DVD, existem 40 em VHS. Segundo o empresário, o VHS ainda é um produto bastante rentável para as distribuidoras. No entanto, em seu concepção, o DVD é um produto típico para venda. ‘‘E não para locação, porque é um produto frágil para manusear. Existe um trabalho para educar o cliente. Mesmo assim, frequentemente aparecem DVDs partidos ao meio’’, avalia. Odival de Matos insere o DVD como um produto que atende às exigências dos colecionadores.
Para ele, se faz urgente mudar a embalagem para uma durabilidade maior do produto. Num universo de 500 títulos disponíveis em sua locadora, quando no Brasil foram lançados pouco mais de 850 títulos, o empresário, às vezes, tem dificuldade de repor filmes avariados. Para seduzir novos clientes, o preço da locação está inferior ao da fita VHS.
Esse crescimento vertiginoso do DVD surpreendeu inclusive os próprios fabricantes. Com o intuito de expandir as vendas do novo produto no Brasil foi realizada uma parceria, no ano passado, entre a Warner Home Vídeo e a Gradiente, a pioneira na fabricação dos aparelhos no País. Na campanha dirigida às locadoras, os aparelhos foram vendidos a um preço acessível, em 10 pagamentos, sem entrada. Chegaram a vender mais de 5 mil unidades, não conseguindo atender a todos os pedidos. Muitas locadoras esperaram meses, sem notícias dos players. Junto com o aparelho, os empresários recebiam um pacote com 10 títulos em DVD. Para os consumidores, essa campanha superou as expectativas, atingindo a meta de 200 mil aparelhos comercializados em 2.000.
Em outra locadora tradicional de Londrina, Vídeo Clube do Brasil, o proprietário Gilberto Galli constata o aumento significativo do número de clientes em sua loja, com uma média de 300 locações/mês em DVD. Ainda nesse início de popularização, Galli observa o desconhecimento de muitos em relação ao DVD, como também uma curiosidade exagerada inicial. Esperam tanto para comprar que depois se decepcionam. ‘‘O que atrai novos clientes para o DVD é a qualidade da imagem e do som. Essa qualidade depende do aparelho de televisão, do tamanho da tela, do som estéreo. O DVD player possui uma saída para fibra óptica e a TV precisa da entrada de fibra óptica. É preciso ter recursos compatíveis para a instalação adequada do aparelho’’, ensina Galli.
Ele explica ainda o caminho que um filme percorre: cinema, locadora, sistema Pay-Per-View, TV a cabo e TV aberta. Existe, por exemplo, uma janela entre o cinema e a locadora de 6 meses, conforme acordo realizado com o setor de audiovisual. Como o produto está se adequando ao mercado, esse acordo precisa ser respeitado, para que os cinemas não acabem sendo prejudicados. Mas esse tempo é flexível, tudo depende do produto. Para um blockbuster como ‘‘Titanic’’, de James Cameron, que ficou meses em cartaz, esse tempo se estendeu. Já o filme ‘‘Central do Brasil’’, de Walter Salles, saltou do cinema para a TV porque a Rede Globo bancou a preço de ouro esse pulo.
Essa febre do DVD levou o governo francês (que mantém um severo protecionismo ao cinema local), a instituir um decreto proibindo a venda de filmes nesse formato antes de seis meses decorridos de sua exibição em telas francesas. A medida cautelar assinada pela ministra da cultura, Catherine Taska, visa proteger o mercado cinematográfico, que ganhou um concorrente forte, pois muitos títulos saem simultaneamente nas telas e em DVD. Na França, a partir de agora, quem infringir a lei, pode ser multado em 135 mil dólares.

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