O DVD CONQUISTA ESPAÇO
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quinta-feira, 04 de janeiro de 2001
Francelino França De Londrina 
Um dos grandes hits de vendas nesse Natal foram os DVDs Players, que segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos, obtiveram um crescimento de 796% em 2.000, em relação ao ano anterior. Londrina não fugiu à regra, o aparelho de DVD foi um dos produtos mais procurados, disputando palmo a palmo com o telefone celular o posto de top de vendas de Natal, principalmente em função do achatamento dos preços dos aparelhos. Um modelo Gradiente DVD10 e DVD12 que chegou a custar R$ 1.600,00 pôde ser adquirido por R$ 695,00.
Esse boom não é um fenômeno isolado brasileiro. O DVD se consolidou como novo suporte para entretenimento em todos os países. No mundo virtual de consumo da Amazon.com, no ranking dos mais vendidos desponta o título em DVD O Gladiador. Nas locadoras da cidade, além do blockbuster (arrasa quarteirão) do diretor Ridley Scott, Mar em Fúria, de Wolfgang Petersen, também é disputado pelos cinéfilos. Matrix, de Andy Wachowski e Larry Wachowski, ainda é imbatível em número de locações.
Sem dúvida, essa pode ser considerada a fase de implantação do novo formato. O produto ainda está se moldando e o mercado ainda é do VHS. As estimativas variam muito, mas o período útil de vida para os filmes em VHS no Brasil pode chegar a oito anos. Entre outros motivos, porque o parque a ser instalado no País ainda é imenso. Uma das preocupações dos proprietários de locadoras é o lançamento simultâneo com os magazines.
O DVD se tornou rapidamente sinônimo de tecnologia e velocidade. Imagens e som de qualidade, com acesso a legendas de vários idiomas, making of, bastidores, fotos, entrevistas com diretores e atores, tudo num mesmo pacote, tem um poder de sedução impactante. O filme nesse novo formato agrega uma série de informações anteriomente não disponibilizadas aos consumidores.
Em Londrina, Odival Benedito de Matos, proprietário da Delta Vídeo & Games, constata o crescimento significativo do DVD, contabilizando 10% do total das locações. Em sua loja, para 8 cópias de Gladiador em DVD, existem 40 em VHS. Segundo o empresário, o VHS ainda é um produto bastante rentável para as distribuidoras. No entanto, em seu concepção, o DVD é um produto típico para venda. E não para locação, porque é um produto frágil para manusear. Existe um trabalho para educar o cliente. Mesmo assim, frequentemente aparecem DVDs partidos ao meio, avalia. Odival de Matos insere o DVD como um produto que atende às exigências dos colecionadores.
Para ele, se faz urgente mudar a embalagem para uma durabilidade maior do produto. Num universo de 500 títulos disponíveis em sua locadora, quando no Brasil foram lançados pouco mais de 850 títulos, o empresário, às vezes, tem dificuldade de repor filmes avariados. Para seduzir novos clientes, o preço da locação está inferior ao da fita VHS.
Esse crescimento vertiginoso do DVD surpreendeu inclusive os próprios fabricantes. Com o intuito de expandir as vendas do novo produto no Brasil foi realizada uma parceria, no ano passado, entre a Warner Home Vídeo e a Gradiente, a pioneira na fabricação dos aparelhos no País. Na campanha dirigida às locadoras, os aparelhos foram vendidos a um preço acessível, em 10 pagamentos, sem entrada. Chegaram a vender mais de 5 mil unidades, não conseguindo atender a todos os pedidos. Muitas locadoras esperaram meses, sem notícias dos players. Junto com o aparelho, os empresários recebiam um pacote com 10 títulos em DVD. Para os consumidores, essa campanha superou as expectativas, atingindo a meta de 200 mil aparelhos comercializados em 2.000.
Em outra locadora tradicional de Londrina, Vídeo Clube do Brasil, o proprietário Gilberto Galli constata o aumento significativo do número de clientes em sua loja, com uma média de 300 locações/mês em DVD. Ainda nesse início de popularização, Galli observa o desconhecimento de muitos em relação ao DVD, como também uma curiosidade exagerada inicial. Esperam tanto para comprar que depois se decepcionam. O que atrai novos clientes para o DVD é a qualidade da imagem e do som. Essa qualidade depende do aparelho de televisão, do tamanho da tela, do som estéreo. O DVD player possui uma saída para fibra óptica e a TV precisa da entrada de fibra óptica. É preciso ter recursos compatíveis para a instalação adequada do aparelho, ensina Galli.
Ele explica ainda o caminho que um filme percorre: cinema, locadora, sistema Pay-Per-View, TV a cabo e TV aberta. Existe, por exemplo, uma janela entre o cinema e a locadora de 6 meses, conforme acordo realizado com o setor de audiovisual. Como o produto está se adequando ao mercado, esse acordo precisa ser respeitado, para que os cinemas não acabem sendo prejudicados. Mas esse tempo é flexível, tudo depende do produto. Para um blockbuster como Titanic, de James Cameron, que ficou meses em cartaz, esse tempo se estendeu. Já o filme Central do Brasil, de Walter Salles, saltou do cinema para a TV porque a Rede Globo bancou a preço de ouro esse pulo.
Essa febre do DVD levou o governo francês (que mantém um severo protecionismo ao cinema local), a instituir um decreto proibindo a venda de filmes nesse formato antes de seis meses decorridos de sua exibição em telas francesas. A medida cautelar assinada pela ministra da cultura, Catherine Taska, visa proteger o mercado cinematográfico, que ganhou um concorrente forte, pois muitos títulos saem simultaneamente nas telas e em DVD. Na França, a partir de agora, quem infringir a lei, pode ser multado em 135 mil dólares.


