O drama do Cine Com-Tour
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domingo, 15 de novembro de 2015
Marcos Roman<br> Reportagem Local 
Com 10 anos recém-completados no último dia 5, o Cine Com-Tour/UEL depende do apoio do empresariado londrinense para continuar funcionando. Administrado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), o único cinema da cidade dedicado às produções fora do circuito comercial precisa arrecadar R$ 545 mil por meio de isenções ficais via Lei Rouanet até o final deste ano. O recurso financeiro viabilizaria a aquisição de equipamentos para a exibição de cópias digitais dos filmes. Já as atuais películas de 35 mm devem ser definitivamente extintas pela indústria cinematográfica em 2016.
"Promovemos um café da manhã no final do mês passado a diversos empresários da cidade, para apresentarmos o projeto aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC) através do qual o Governo Federal abre mão de parte dos impostos devidos pelas empresas para que elas repassem recursos a iniciativas culturais. Mas, infelizmente, não houve nenhuma adesão à iniciativa", relata o chefe da Divisão de Cinema e Vídeo da Casa de Cultura da UEL, Carlos Eduardo Lourenço Jorge.
O valor do projeto aprovado pelo MinC prevê a aquisição de um novo projetor, nova tela e novo equipamento de som. "Para se ter uma ideia do quanto nosso equipamento está defasado, ainda utilizamos um dos projetores que pertenceu ao Teatro Ouro Verde e que está em uso desde 1952", destaca Jorge.
Segundo ele, a falta de filmes em película tem prejudicado o cronograma de exibição de longas mais recentes. "Ainda tenho encontrado em São Paulo algumas poucas cópias de filmes interessantes em 35mm. Mas a tendência é que esse tipo de cópia se torne cada vez mais rara. Como as cópias em tecnologia digital têm um valor infinitamente mais baixo, as distribuidoras não têm mais interesse em optar pela película", argumenta.
Estima-se que a cópia em 35mm tem custo superior a US$ 1 mil, além de exigir uma logística do distribuidor para levar e buscar as latas com o filme ao cinema. Por sua vez, a cópia digital sai, em média, por US$ 200, e circula num HD (disco rígido) com o arquivo criptografado (protegendo contra a pirataria), e que pode ser reutilizado.
A prorrogação do prazo para a arrecadação dos recursos é uma das saídas encontradas pela diretoria da Casa de Cultura da UEL, órgão ao qual o Cine Com-Tour/UEL está subordinado. "O projeto da Lei Rouanet foi aprovado em junho com o curto prazo de captação até dezembro. Existe uma possibilidade de prorrogação por mais um ano e vamos tentar fazer isso", adianta Cleusa Cacione, diretora da Casa de Cultura.
Em campanhas futuras, além de empresários o órgão pretende sensibilizar toda a comunidade londrinense, já que tanto pessoas físicas quanto jurídicas podem contribuir em troca de abatimento no imposto de renda.
Serviço
Interessados em colaborar podem procurar a Casa de Cultura da UEL (R. Sen. Souza Naves, 9 - 11º andar) ou ligar para (43) 3322-0913/3323-8562


