O doutor em violino
O DOUTOR EM VIOLINO
André Cavazotti Silva forma-se na Boston University, tornando-se um dos poucos brasileiros doutores no instrumento
Ranulfo Pedreiro
Reprodução
André Cavazzotti Silva: experiência nos EUA onde integra
uma instituição preocupada com a tradição musicalO violinista londrinense André Cavazotti Silva forma-se amanhã, em Boston (EUA), doutor em violino. O título foi obtido após quatro anos de estudos na Boston University, onde o músico elaborou uma tese sobre as sete sonatas para violino do compositor Camargo Guarnieri. André Cavazotti é um dos únicos violinistas brasileiros a obter o doutorado.
O instrumentista também foi eleito para a National Music Honor Society, uma instituição americana preocupada com a tradição musical. São poucos os alunos eleitos para participar dessa sociedade. Esse foi um sinal de que os meus professores e orientadores acreditam no meu trabalho, comenta, acrescentando que é raro obter o doutorado com apenas quatro anos de estudos: É difícil terminar no tempo certo, muita gente leva seis ou sete anos. Os alunos americanos têm que trabalhar para pagar o curso e atrasam os estudos, enquanto eu tinha bolsa do CNPq e me sobrava mais tempo para estudar.
André Cavazotti Silva começou a se empolgar com o violino ao participar do grupo Arabesco, de música barroca, em Londrina. Ele estudou com Regina Grossi e, aos 15 anos, ganhou uma bolsa para a Academia Nacional de Artes dos Estados Unidos, onde permaneceu por dois anos.
De volta ao Brasil, André estudou na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, ao mesmo tempo em que tocava na Orquestra Jovem da cidade. Após a conclusão, o violinista fez o mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde defendeu uma tese sobre as oito músicas do disco Clara Crocodilo, de Arrigo Barnabé. Eu queria abrir os horizontes e saber mais sobre a música do século 20 e música popular, acrescenta.
Em Boston, além do doutorado, André leciona violino em uma escola de música, já apresentou vários recitais e participou temporariamente de algumas orquestras. Durante suas viagens ao Brasil, o músico tocou em São Paulo, Londrina e Belo Horizonte, entre outras cidades.
A experiência nos Estados Unidos foi fantástica, aprendi a tocar violino com arco barroco, que retoma um pouco o trabalho do Arabesco. Vou passar uns meses ainda em Boston para acompanhar algumas aulas, mas depois volto ao Brasil para trabalhar, ressalta.
De volta ao País, André Cavazotti pretende formar um quarteto de cordas e dar aulas para alunos de vários níveis de aprendizado. Sei que para lecionar no Brasil devo estar preparado para todos os níveis, desde os inciantes aos avançados, conclui. Admirador de Bach, Beethoven, Brahms e Stravinsky, o músico volta em agosto e ainda não tem nenhuma apresentação marcada.





