Na semana da morte do mestre do violão, Baden Powel, Curitiba recebeu para única apresentação, no Canal da Música, outra personalidade importante da música de cordas brasileira, o violonista Turíbio Santos. Ele veio acompanhar a Orquestra Sinfônica do Paraná-OSP, num espetáculo regido por Mateus Araújo, onde foram executadas obras de Villa-Lobos e Joaquim Rodrigo. Na quinta-feira, após o ensaio com a orquestra, Turíbio recebeu a Folha 2 para uma entrevista.
Na visão de um leigo, é realmente curiosa uma apresentação, reunindo um violão (um instrumento extremamente intimista), e uma orquestra.
‘‘Apesar de ser intimista, o violão, na forma que se conhece hoje, datado do final do século passado, foi desenvolvido por um Liutaio, que criou um oito maior e possibilitou o aumento do volume do instrumento. Mesmo assim, não perdeu o caráter intimista. Agora, graças à eletrônica, é possível amplificar e realizar concertos com a orquestra, como o Concerto de Violão, de Villa-Lobos e o Concerto de Aranjuez, de Rodrigo’’, disse.
Essa não foi a primeira vez que Turíbio tocou em Curitiba, já veio dezenas de vezes. Até pouco tempo, viajava muito, agora só sai do Rio de Janeiro, onde mora e dedica-se à ensinar novos violonistas. Dá aulas na Universidade Federal do Rio, onde criou uma Orquestra de Violões com seus alunos. É membro do Conseil D’ Entraide Musicale, da Unesco e Diretor do Museu Villa-Lobos.
Turíbio começou a tocar violão aos 10 anos de idade, por influência do pai, um seresteiro maranhaense que trouxe a família para o Rio quando ele tinha dois anos de idade. Já são 38 anos de carreira profissional e o que um violonista vai apurando após tantos anos de estrada? ‘‘A música, ao contrário do esporte, é feita de experiência. A vida, generosamente, permite ao músico usufruir de sua capacidade física até, pelo menos os 70 anos. E, com a música, você acumula experiências espirituais. Você vai somando e não tem a frustração do atleta que, quando acumulou, o corpo não dá mais’’, diz.
O resultado dessa experiência acumulada pelo violonista, o transformou num dos maiores nomes do violão, apesar da timidez, Turíbio cresce quando fala de música, conta a história da música de sua terra, o Maranhão. E fala também da relação com o instrumento, ‘‘ como cresci com o violão por perto, ele era como um instrumento da família’’, diz.

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