O Dono da Festa
À sombra daquela velha bandeira de anarquia outrora saudável da National Lampoon Animal's House, estréia em circuito nacional ''O Dono da Festa'' (veja a programação de cinema na página 2). Mas a farra universitária irreverente e calibrada com críticas ferozes ao establishment, conduzida nos anos 1980 por John Belushi, Dan Aykroid e Chevy Chase, hoje se transformou em escatologia pura e simples, atentado injustificável até às platéias mais permissivas.
Van Wilder (Ryan Reynolds) - nome do personagem e título original - é o rico filho de papai, eterno estudante universitário, ''promoter'' profissional de festas da pesada no campus. Uma estudante de jornalismo (Tara Reide) quer escrever matéria sobre o rapaz no jornal da faculdade, mas como não o encontra, inventa um texto explorando seu lado bandido. Wilder decide se vingar da garota.
Numa das muitas cenas gratuitas do filme, um homem defeca sentado numa lata de lixo. O diretor Walt Becker utiliza ali todo o repertório de sons alusivos. Ao mesmo tempo, aproxima a câmera ao máximo do rosto do ator, de tal forma que ele embaça a lente com sua respiração. A situação narrada graficamente não é apenas sintomática: o momento é a própria síntese do espírito que comanda o filme como um todo. ''Van Wilder'' pertence a uma categoria de comédias ''teen'', inaugurada nos anos 1990, especializada em funções do corpo, ou fisiológicas, o que parece mais adequado. O roteiro é pródigo em eliminar fluidos e matérias, numa lista que inclui até sêmen de cachorro.
O que ainda é mais constrangedor e ultrajante é que, ao final, o filme parece implorar o perdão e a simpatia do espectador, depois de 90 minutos de um descontrolado repertório de insultos na maioria visuais.(C.E.L.J.)





