O domínio público de Mário de Andrade
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Na última quarta-feira, completou-se 70 anos da morte de Mário de Andrade (1893 - 1945). Com isso, todas as obras do romancista, poeta, músico, pesquisador da cultura popular e organizador da Semana da Arte Moderna cairão em domínio público. Isso significa dizer que qualquer obra de um dos maiores criadores da cultura brasileira poderá ser plenamente reproduzida por qualquer pessoa ou editora sem que haja necessidade de pagamento de direitos autorais; estes, presentes em todas as áreas de criação da sociedade como artísticas, culturais, científicas e industriais.
Atualmente, o selo Nova Fronteira, da editora Ediouro, detém os direitos de todas as obras literárias e não literárias de Mário de Andrade. Até o último dia de 2015, portanto, poderá explorar comercialmente os títulos com exclusividade.
O selo prevê o lançamento de seis novos títulos de Mario de Andrade durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece entre 1º e 5 de julho - evento no qual o autor de "Macunaíma" também será homenageado. De acordo com a editora do catálogo de clássicos do selo, Maria Cristina Antônio Jerônimo, as publicações já estavam na grade da editora, mas foram antecipadas devido à homenagem na Flip. "É inegável a importância das obras deixadas pelo autor, fundamental na literatura e na compreensão do Brasil." A editora tem os direitos patrimoniais desde 2007.
Segundo ela, serão três títulos em versão impressa e outros três em e-book lançados este ano. "O romance inédito, tão esperado, 'Café; Macunaíma em SP: o nascimento de um Brasil'; uma adaptação em quadrinhos (graphic novel) do principal título de Mário e que conta com roteiro de Izabel Aleixo e ilustrações de Kris Zullo; e uma antologia de contos e crônicas intitulada 'O melhor de Mário de Andrade'. Já 'Música de feitiçaria'; 'As melodias do boi' e 'Pequena história da música' chegarão ao mercado, também no primeiro semestre, em e-book", comenta.
A editora vem publicando há alguns anos diversos títulos do autor e seus principais livros de literatura e vários de estudo e crítica estão disponíveis no mercado em versão impressa e digital. Sobre a vantagem de lançar um título com apenas seis meses de exclusividade, a editora explica que os novos volumes são preparados em conjunto com a equipe do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP). "Isso dá credibilidade ao material. Para o próximo ano, vamos lançar um selo específico, uma espécie de chancela, para garantir a qualidade das pesquisas realizadas pelo Instituto para a produção do livro", adianta.
No dia da morte de Mário de Andrade, a editora Edições de Janeiro lançou o ensaio biográfico inédito sobre sua vida e obra. O livro "Eu Sou trezentos: Mário de Andrade Vida e Obra", de autoria do escritor Eduardo Jardim, é uma análise da personalidade de Mário, a partir de seus poemas, contos, romances, ensaios e outras iniciativas. A Semana de Arte Moderna também é um dos temas tratados no livro. Nele, o autor aborda a vida e obra de Mário de Andrade desde os tempos de infância, marcada pelo ensino religioso, até sua morte, em 1945.


