O dom de semear as letras
A TV Educativa vai transmitir ao vivo, domingo, às seis da tarde, a missa em homenagem a Padre Antonio Vieira e Paulo Leminski. Comemora-se nessa data o Dia da Bíblia, mas nada impede que um poeta e um padre sejam lembrados. A religiosidade passou pela vida de ambos, separados por alguns séculos em suas existências.
O padre, nascido em Lisboa em 1608, morreu em Salvador em 1697. Antonio Vieira veio para o Brasil ainda criança, com sete anos de idade. A forte religiosidade fez com que se ordenasse aos 13. Era bem visto pela Corte - os sermões que pregava, sempre favoráveis ao governo português, calavam fundo na opinião pública brasileira.
Orador de vastos recursos, empolgava ouvintes e leitores com imagens que traziam para a realidade contemporânea as passagens da Bíblia. Na missa de hoje será lido o ‘‘Sermão da Sexagésima’’, que disserta sobre o dom de semear a palavra divina.
SeminaristaPaulo Leminski, antes de se notabilizar como poeta, foi seminarista e passou algum tempo de sua vida no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Quando morreu, dois meses antes de completar 45 anos, estava marcado por outra liturgia - a das letras. A escrita só não existia quando praticava o judô. Foi professor e faixa preta.
No mais, transitou pela poesia, prosa, publicidade, tradução, quadrinhos, televisão, música popular; deu aulas de redação e literatura em cursos pré-vestibulares. Escreveu para o suplemento ‘‘Folhetim’’, do jornal ‘‘Folha de São Paulo’’.
Resenhou livros de poesias para a revista ‘‘Veja’’ e suas letras foram musicadas e cantadas por Caetano Veloso, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Blindagem, Guilherme Arantes e A Cor do Som. Entre suas obras mais conhecidas destacam-se ‘‘Distraídos Venceremos’’, ‘‘Caprichos e Relaxos’’ e ‘‘La Vie en Close’’.
(Z.C.L.)

mockup