O documentarista ficcional Woody Allen
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sexta-feira, 23 de novembro de 2001
Rodrigo Souza Grota<Br>De Londrina 
Woody Allen está voltando ao melhor de seu estilo. Ao melhor, entenda-se uma linha que não separa ficção de realidade. É o caso de seu antepenúltimo filme, ''Poucas e Boas'' (Sweet & Lowdown, EUA, 1999), que chega ao mercado brasileiro simultaneamente em DVD e VHS.
Allen conta a história do violonista fictício de jazz Emmet Ray, um amante incondicional do grande guitarrista cigano francês Django Reinhardt. Ele até que toca bem, mas se acha muito inferior quando comparado ao grande Reinhardt. O cineasta alterna depoimentos de críticos de jazz a cenas da vida de Ray, o que pode induzir ao espectador mais incauto a acreditar que tudo que se passa no filme ocorreu mesmo. Mas o que Allen está fazendo é o mesmo que havia experimentado em ''Zelig'' (83), uma narrativa que se baseia em um modelo documental para apresentar personagens que não existem.
Esse estilo de Allen já havia sido inaugurado pelo grego Jules Dassin, em ''Cidade Nua'', de 1948. Em ''Poucas e Boas'', entretanto, o cineasta nova-iorquino não consegue manter a qualidade que imprimiu a ''Zelig'', mas acaba tendo momentos preciosos.
Emmet Ray se apaixona por uma surda, interpretada pela bela Samantha Morton, que aliás, foi indicada ao Oscar naquele ano como atriz coadjuvante. Apesar do sentimento ser correspondido, Ray permanece por um longo tempo em profunda melancolia. Ele, por exemplo, não consegue aproximar-se de Reinhardt quando sabe que este está tocando no mesmo lugar. Na visão de Allen, se Ray conhecesse o guitarrista, toda a admiração pelo mito iria se encerrar.
Repleto de grandes standards de jazz e impulsionado pela ótima atuação de Sean Penn, ''Poucas e Boas'' resgata em alguns momentos o melhor do diretor, um lirismo irônico, que sempre se esbarra nos eternos problemas do homem - morte, Deus e a verdade.
Lançamento da Alpha. Duração: 95 minutos.
Guerra de Canudos
Sérgio Rezende é um grande diretor, mas estava perdendo a sua mão. Fitas como ''Guerra de Canudos'' e ''Mauá: o Imperador e o Rei'' são filmes basicamente bem produzidos, mas não chegam em nenhum momento a dimensionar conflitos dramáticos ou alguma proposta estética. ''Canudos'' (BRA, 1997) então foi um dos filmes mais caros aqui já produzidos - R$ 5 milhões, isso em uma época em que o dólar estava um pouco acima do real. Tem toda uma desenvoltura técnica, é bem finalizado, mas não há um só momento que ficará na mente do público. A tática parece ser a que está tomando conta do cinema brasileiro - filmes caros, bem produzidos, com astros globais, roteiros leves e nenhuma proposta estética. Ao menos Rezende percebeu o caminho errado e voltou para um estilo artesanal, resultando na obra-prima ''Quase Nada'', recém-lançada em VHS.
Lançamento da Columbia. Duração: 170 minutos.
Dizzy Gillespie
Os fãs de jazz não podem reclamar das distribuidoras. Após um documentário com Thelonius Monk, filmes sobre Charlie Parker (Bird), Bud Powell e Lester Young (Por Volta da Meia-Noite), chega ao mercado ''Dizzy's Dream Band'' (EUA, 1982), registro de uma apresentação no Lincoln Center em Nova Iorque de uma das lendas do trompete, Dizzy Gillespie. Ele é ao lado de Charlie Parker o criador do bebop, o estilo que imprimiu novo fôlego ao jazz nos anos 40. Compositor de pérolas como ''A Night in Tunisia'', ''Salt Peanuts'' e ''Manteca'', o documentário traz outros standards como ''Groovin High'', ''Mr. Mi Hat'', ''Hot House'', ''Lover Man'' e ''Tin Tin Deo''. Outro atrativo são os parceiros que acompanham Dizzy durante o show - o saxofonista Gerry Mulligan, o baterista Max Roach, o vibrafonista Milt Jackson, o pianista John Lewis e o vocalista Jon Hendricks. Há também entrevistas e brincadeiras de bastidores, além de biografia e discografia nos extras.
Lançamento da Versátil. Duração: 89 minutos.


