Quando surgiu, muitos o compararam a Djavan, do qual seria um genérico. A pecha, porém, foi sendo esquecida ao longo dos anos pelos detratores do cantor e compositor carioca Jorge Vercillo, que se apresenta hoje em show fechado para convidados em Londrina.
  O show começa às 20 horas no Village Praça de Eventos e faz parte do projeto Royal in Concert, da Teixeira Holzmann Empreendimentos Imobiliários. O repertório traz as canções de seu novo álbum, ‘‘D.N.A’’, e sucessos de carreira como ‘‘Que nem Mar钒, ‘‘Final Feliz’’ e ‘‘Monalisa’’.
  No palco ele será acompanhado pelos músicos Bernardo Bosisio (guitarra e violões), André Neiva (baixo), Glauton Campello (teclados), Claudio Infante (bateria), Orlando Costa (percussão), Jessé Sadoc (trompete) e Glauco Fernandes (violino).
  Em 15 anos de carreira, Vercillo já lançou oito álbuns de estúdio. Entre os destaques de seu recente disco figuram as canções ‘‘Arco-Íris’’ (samba funk latino em parceria com o multi-instrumentista Filó Machado), ‘‘Caso Perdido’’ (assinada a quatro mãos com Max Viana), ‘‘Me transformo em Luar’’ (que recentemente ganhou uma versão em espanhol, criada pelo cantor e compositor argentino Pedro Aznar) e ‘‘Há de ser’’ (que conta com participação especial de Milton Nascimento).
  Esta última recebeu indicação para o Grammy Latino na categoria Melhor Canção Brasileira. O próprio álbum concorre ao prêmio como Melhor CD de MPB.

ENTREVISTA
  Folha de Londrina: O ‘‘D.N.A’’ é seu oitavo álbum de estúdio. Que avaliação você faz do primeiro disco até agora – o que mudou?
  Jorge Vercillo: Há um Jorge Vercillo mais tranquilo, mais relaxado, mais despojado e que ao longo dos anos foi passeando por diversos estilos e ritmos dentro da MPB contemporânea. Há a faceta pop, a jazzística, as influências nordestinas, enfim, uma pluralidade evidente. Há ainda muitas batalhas a travar, mas me sinto realizado. Tenho um vasto público espalhado pelo Brasil e estou começando a fazer shows fora do País – estive em Angola, Uruguai e Argentina.
  O ‘‘D.N.A’’ é seu primeiro disco pela Sony Music. Como é fazer parte de uma grande gravadora num momento de transformações radicais no mercado da música e em que vários artistas consagrados deixam as companhias para lançar discos por selos independentes?
  Lancei discos pela EMI Music durante dez anos. Quando estava gravando o D.N.A em meu estúdio caseiro, pensei em lançá-lo pelo meu próprio selo até surgir o convite da Sony, que era um flerte antigo. Achei a proposta interessante e agora estou lá como contratado. Mas vejo de forma muito positiva a possibilidade de gravar e conceber seu próprio negócio. É uma nova opção que se apresenta ao artista.
  A canção ‘‘Memória do Prazer’’, do novo disco, marca a estreia de sua esposa (Gabriela) como compositora. Como surgiu a parceria?
  Eu tinha a melodia e estava fazendo a letra, quando ela começou a me ajudar. Percebi que a coisa ia além da contribuição e resolvi assinalar a parceria. Foi uma experiência inusitada, não foi nada planejado.
  Você faz shows fechados para convidados com frequência?
  Isso ocorre mais no Sul. Percebi isso ao longo de 15 anos de carreira. É um fenômeno setorizado de parte dos contratantes. Lamento muito. Algumas pessoas acham que é o artista que não gosta de cantar para o público, mas não é nada disso. Vou todo ano a Manaus, a Belém, tenho a agenda cheia de shows em outras regiões do País. Depois de Londrina, vou fazer uma turnê pelo interior da Bahia em cidades como Itabuna, Alagoinhas e Feira de Santana. Gostaria que o público do Sul também pudesse ter contato com artistas de MPB.

mockup