O divino e o maravilhoso está nas imensidões e nas pequenices
Sonda espacial Voyage, lançada em 1977, já chegou a 25,8 bilhões de km da Terra e não achou planeta propício para o que chamamos vida
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sábado, 31 de outubro de 2026
Sonda espacial Voyage, lançada em 1977, já chegou a 25,8 bilhões de km da Terra e não achou planeta propício para o que chamamos vida
Domingos Pellegrini 

Em 1968 (há mais de meio século!), Gil e Caetano compuseram a música Divino Maravilhoso, que diz isto mesmo, que tudo é divino e maravilhoso. E não é? Nós, terráqueos, temos mais é que agradecer por tudo e tanto, a começar porque a sonda espacial Voyage, lançada em 1977, já chegou a 25,8 bilhões de quilômetros da Terra e, até agora, não achou planeta propício para o que chamamos vida.
A física quântica, penetrando no mundo atômico das moléculas, mostra que tudo é vivo e em constante mutação, energia se processando, desde o Sol, essa estrelinha mais de milhão de vezes menor que as maiores estrelas. E tudo não só é vivo como a vida é abundante, a começar por só fecundar o útero humano um entre 300 milhões de espermatozoides!
No Espaço Sideral, as quantidades são estupendas: os cientistas estimam existir entre 100 e 400 bilhões (bi-lhões) de estrelas só na nossa galáxia Via Láctea – e, como também estimam haver 2 trilhões (tri-lhões) de galáxias, deve haver até 200 bilhões de trilhões de estrelas. (Claro que tal cálculo é ingenuidade dos cientistas, pois o número de estrelas só pode ser infindável ou o Universo não seria infinito. Pois, caso fosse finito, o que haveria além? O Nada? Mas o próprio nome diz que nada não existe!)
Mas vamos deixar o Universo em paz (ou em continuo movimento) e vejamos a joaninha: um bichinho tão pequenino por que tem tantas pintinhas? Assim não atrai predadores? Não: as pintas coloridas informam aos predadores que a joaninha é tóxica, e assim eles a deixam em paz... Não é maravilhoso?
E o vagalume então? É uma mini-usina química, combinando uma proteína com uma enzima para transformar energia em luz. E com essa luz atrai a fêmea para reprodução da espécie e também avisa predadores que é tóxico como alimento. Ou seja: nós fazemos armas de matar, enquanto o vagalume cria no próprio corpo a luz que serve para namorar e se defender.

A ursa polar sai da toca de gelo onde passou o inverno e, com fome e precisando comer para amamentar os filhotes, consegue sentir o cheiro de focas, suas presas, a trinta quilômetros de distância! E irá até lá camuflando-se com sua pelagem branca na paisagem toda branca...
E a onça-pintada? – tem mordida mais forte que a do leão, assim consegue morder e levar no lombo, para comer no alto de árvore, uma presa mais pesada que ela mesma!
Já aquela gosma do caramujo serve para repelir parasitas e predadores, ajuda a subir em paredes ou a deslisar em chão áspero, além de proteger contra desidratação, ajudar a achar caminho de volta e atrair parceiras para acasalamento. Claro, né: para que teria ele algo tão nojento para nós se não servisse para tanta coisa neste mundo maravilhoso?
Aliás, é mundo tão vivo que se move sem parar: o Himalaia sobe alguns milímetros todo ano, como África e América continuam se separando. E não é maravilhoso que os cientistas, com seus satélites e emissões de rádio, consigam medir esses milímetros com precisão?
E também não é maravilhoso que se pode comprovar tudo isso consultando Tio Google em minutos? Ou, como dizia João Milanez: – Só não me espanta o que ainda não vi...


