São Paulo, 25 (AE) - "A Máscara do Zorro", estrelado por Antonio Banderas, Anthony Hopkins e a beldade Catherine Zeta-Jones, deveria ter sido dirigido por Robert Rodrigues, o cineasta de "El Mariachi". A presença de Rodrigues, achava-se, garantiria criatividade à nova versão das aventuras de don Diego de La Vega.
Bem, a julgar pela "inventividade" do novo filme de Rodrigues, "Prova Final", melhor que ele tenha finalmente ficado fora do projeto. Assumiu Martin Campbell, que fez de "A Marca do Zorro" nada mais que uma excelente sessão da tarde, sem novidades e bem divertida.
A história é aquela que todos conhecem. Na Califórnia do século 18, don Diego é o homem rico, que se oculta sob uma máscara para tornar-se justiceiro. Na nova versão da história, há o processo de aprendizagem, com o velho Diego (Anthony Hopkins) treinando o jovem Zorro (Banderas) para assumir seu lugar. Para formar o par romântico com Banderas, algum agente de gênio descobriu Catherine Zeta-Jones, uma galesa do outro mundo.
Boa história, bom elenco e diretor sem nenhuma necessidade de provar-se genial - essa mistura fina só poderia dar resultado, como de fato deu. O filme, sem ter nada de mais nem de menos, é excelente passatempo. Banderas, que segundo a crítica Janet Maslin, do "New York Times", teria nascido para o papel, está de fato muito à vontade. Sem reapresentar o brilho do começo de sua carreira, quando trabalhava com Pedro Almodóvar
pelo menos se livrou dos papéis medíocres de latin lover de plantão em Hollywood.
O mesmo pode-se dizer de Anthony Hopkins que, parece, abandonou de vez o compromisso com uma carreira "séria" e resolveu cair na gandaia do cinemão comercial. Com o talento de sempre, enveredou por uma canastrice que, de tão explícita, acaba por auto-anular-se. Uma espécie de "metacanastrice", se o termo cabe.
Como versão tipicamente moderna, a de Campbell apresenta conteúdo social mais ralo e ênfase em efeitos especiais. Duas características que parecem inescapáveis. E, se não pode comparar-se à insuperável versão de 1920 estrelada por Douglas Fairbanks, passa por entretenimento honesto, mais do que se pode esperar do cinema comercial hoje em dia. Serviço - "A Marca do Zorro". EUA, 1998. Dir. de Martin Campbell, com Antonio Banderas, Anthony Hopkin, Catherine Zeta-Jones. Columbia

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