Divulgação‘‘Hércules teria sido uma espécie de Michael Jordan da Grécia’’A partir de hoje, em milhares de salas espalhadas por todos os continentes, bilhões de olhos vão estar grudados na tela para reverenciar novo prodígio da tecnologia a reboque da imaginação. Em estréia mundial, tão cronologicamente preciso como um trem suíço, já está à disposição o trigésimo-quinto longa metragem da Walt Disney Feature Animation, imediatamente posterior a ‘‘O Corcunda de Notre Dame’’ e imediatamente anterior a ‘‘Tarzan’’, a versão animada do clássico de Edgar Rice Burroughs que deverá estar rolando nos projetores daqui a exatos 365 dias.
Comédia musical, ‘‘Hércules’’(veja a programação de cinema na página 5) é o primeiro longa de animação do estúdio a visitar a mitológica antiguidade clássica. Claro que aqui também incluída uma travessa irreverência, espécie de marca registrada na abordagem de temas, personagens e histórias adaptados de fontes já conhecidas. E, como consequência mercadológica, também a partir de hoje a grife ‘‘Hércules’’ estará insistentemente disponível em centenas de produtos e subprodutos, caros e baratos, legais e ilegais.
De zero a super-herói Para recuperar seu lugar de direito no Monte Olimpo, ao lado do pai, Zeus, o semideus Hércules, pilotando seu cavalo alado Pégasus, combate o maléfico Hades, salva Mégara, uma donzela em dificuldades, e aprende a ser um verdadeiro herói sob a influência e tutela de Filoctetes, aliás Fil, um sátiro com todo o jeito de Yoda, o pequeno sábio de ‘‘O Império Contra-Ataca’’.
A idéia para desenvolver outro projeto de um longa de animação surgiu em 1993, quando os roteiristas-diretores-animadores Ron Clements e John Muskers (‘‘A Pequena Sereia’’ e ‘‘Aladdin’’) foram novamente chamados por causa de suas hilariantes sacadas humorísticas, grandes traços caricaturais e uma direção de arte diferenciada. Depois de estudar em detalhes mais de 30 idéias então em processo de viabilização, a dupla finalmente decidiu-se por ‘‘Hércules’’. Por três bons motivos: à exceção de um segmento pastoral em ‘‘Fantasia’’, o clássico de 1940, tema e personagens eram originais; qualquer história recriada em bases de mitologia clássica oferecia um potencial para sátiras, trocadilhos e uma coleção de canções; e, finalmente, as dificuldades e perigos impostos ao semideus-semi-homem Hércules o transformavam em um típico herói de pessoas comuns. O passo seguinte, essencial, foi a contratação do artista e caricaturista político inglês Gerald Scarfe, convidado para ajudar na criação do desenho dos personagens. Scarfe, renomado cartunista no ‘‘The London Sunday Times’’, no ‘‘The New Yorker’’ e em outras grandes publicações, havia trabalhado anteriormente no cinema como desenhista de produção do musical ‘‘Pink Floyd -The Wall’’(82), dirigido por Alan Parker e onde também elaborou as sequências animadas.
Expandindo seu papel original de artista conceitual, Scarfe permaneceu envolvido na produção até sua conclusão e ainda serviu como consultor artístico dos animadores. Assim como o estilo único do caricaturista Al Hirschfeld inspirou os desenhos de ‘‘Aladdin’’, também o traço audacioso e expressivo de Scarfe deu aos cineastas um visual novo e emocionante para os personagens. Os desenhos de Scarfe são descritos pelos diretores de ‘‘Hércules’’ como ‘‘tendo uma energia intrínseca e anárquica que parece explodir do papel. Ele desenha com movimentos amplos a partir do ombro, criando formas grandes e fortes, de impacto imediato.’’
Um misto de Jordan e Nicholson Para a equipe principal de produção, fazer o filme foi antes de tudo dar um mergulho na história grega. O time de animação atravessou a Grécia num tour em que não faltou um PHD da Univesidade da Carolina do Sul. Toda a literatura disponível foi devorada por todos. E descobriu-se que os gregos são muito sensíveis em relação a Hércules, na verdade um semideus...romano (o herói grego é Héracles). Assumida esta espécie de liberdade que de resto não compromete os pilares do saber universal, embora haja quem possa discordar, a tarefa seguinte foi encontrar um meio de fazer os deuses antigos parecerem aceitáveis para as audiências contemporâneas. ‘‘Hércules teria sido uma espécie de Michael Jordan da Grécia. Já o papel do vilão Hades foi escrito mais para o tipo Jack Nicholson’’, diz o diretor John Musker.
‘‘Hércules’’ é o mais recente capítulo na revolução artística processada na Walt Disney Feature Animation nos últimos 10 anos, sob a liderança de Peter Schneider, presidente do departamento e uma espécie de Spielberg dos desenhos. A divisão CGI (Imagens Geradas por Computador), inaugurada com a vertiginosa cena do salão de baile de ‘‘A Bela e a Fera’’ e aprovada na montanha russa da Caverna das Maravilhas em ‘‘Aladdin’’, no estouro dos búfalos em ‘‘O Rei Leão’’ e no impressionante realismo da cena da multidão durante o Festival dos Tolos em ‘‘O Corcunda de Notre Dame’’, deixa aqui também as suas marcas. Em especial na criação da Hidra de 30 cabeças e nas nuvens mutantes do Olimpo.
A trilha musical mais uma vez foi entregue a Alan Menken, que escreveu seis novas canções. Ele optou por deixar de lado obviedades sonoras gregas e partiu para a incorporação de influências do gospel e do pop. Um dos principais temas do filme, ‘‘Go Distance’’, aparece na voz de Michael Bolton. Nas cópias dubladas, a voz a ser ouvida é a de Rick Martin.
Ainda sobre dublagem, vale acrescentar que nas cópias originais com legendas Zeus fala através do adequadíssimo Rip Torn. O vilão Hades ganhou a voz de James Woods e o sátiro Filoctetes tem a sonoridade de Danny DeVito. Outras vozes ilustres: Samantha Eggar (Hera), Hal Holbrook (Anfitrião) e Amanda Plummer (Cloto). A dublagem brasileira oferece o que tem de melhor: Isaac Bardavid, Domício Costa, Mauro Ramos, Dolores Machado, Selma Lopes, Oberdan Junior, Marcio Simões e Renata Lima , entre outros.

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