O discurso inusitado do corpo
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terça-feira, 07 de junho de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
A palavra se arroga capaz de ser tudo pelo sentido que dá às coisas. Porém, hoje o corpo vai a forra em dois espetáculos na programação do 38º Festival Internacional de Londrina (FILO). Através da pantomima e manipulação ''Cuentos PequeÀos'', dos peruanos Hugo y Inés, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro,413), com reapresentação amanhã, e ''Por la ventana del alma'', da Cia. Mimonarcas, do Uruguai, às 20 horas, no Circo Funcart (Rua Souza Naves, 2830), muito será dito no silencioso discurso do corpo.
Com humor poético, os dois atores Hugo Suárez e Inés Pasic transformam mãos, pés e até os joelhos em personagens de histórias que não duram mais que três minuto cada.
O casal domina 22 quadros, mas no FILO apresentará 15 dos que mais gosta, como afirma Hugo. Sem a pretensão de colocar no palco grandes pensamentos filosóficos, a peça trata do cotidiano de uma maneira simples.
Marido e mulher rodam o mundo em festivais, tendo se apresentado em Nova York, Jerusalém, Hong Kong, Tóquio, Londres, entre outros países, somando mais de 150 mostras. Também foram destaque no Festival de Teatro de Curitiba.
Ele era mímico e ela pianista. Hugo e Inés se descobriram como marido e mulher, estendendo a relação de cumplicidade e companheirismo para o palco.
Com a própria barriga, uma camisa aberta, um nariz e um par de óculos, eles criam a ilusão de um boneco. Pode parecer pitoresco usar as mãos ou a barriga para contar uma história, mas é assim que o casal passa pelo enredo de personagens como o que pensa que está se tranformando em mulher.
Plasticidade da cabeça aos pés é o que rege a performance dos dois atores em cena, conseguindo do público o riso ou uma emoção. Para chegar até o boneco, o casal ensaia em frente ao espelho. ''Quase sempre trabalhamos de forma individual em frente do espelho. Quando um personagem aparece é hora de construir uma história para ele. Essa história vai depender do boneco que criamos. Não podemos inventar qualquer história porque cada boneco é especial já que a sua expressividade é limitada por trabalharmos com partes do corpo'', comenta Juárez, acrescentando que a companhia nasceu em 1986.
Vinte anos de pantomima são traduzidos pela Cia. Mimonarcas, do Uruguai, que integra o roteiro do projeto Corredores Culturais, promovido pelo Centro Cultural do Teatro Guaíra, estreando ontem no Brasil ao apresentar, no Calçadão, o espetáculo ''Al Son del Vuelo''.
Logo mais os atores Daniel Tossi e Álvaro Martínez Larrechea apresentam a pantomima ''Por la ventana del alma'', abrindo uma janela no festival londrinense para o público observar a existência de poesia em algum lugar nos personagens e conflitos contemporâneos.


