'O Discurso do Rei' é eleito melhor filme do ano
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Mariana Guerin/ Redação FolhaWeb 
Foram cerca de três horas e meia de gritinhos e risadas exageradas de Anne Hathaway e um ar meio blasé de James Franco, que pouco apareceu ao lado da Rainha Branca de Alice no País das Maravilhas durante a 83ª edição do Oscar, celebrada ontem (27), no Kodak Theatre, em Los Angeles (EUA).
E deu o óbvio: um dos favoritos, "O Discurso do Rei", levou quatro prêmios. Tom Hopper foi escolhido melhor diretor, David Seidler venceu na categoria roteiro original, Colin Firth foi eleito melhor ator e a película foi a grande vencedora na categoria melhor filme.
Natalie Portman, gravidíssima, precisou da ajuda do marido para subir ao palco e receber seu primeiro Oscar pela atuação como a bailarina Nina, em "Cisne Negro". E essa também foi a única premiação do filme no Oscar.
A dupla Cristian Bale e Melissa Leo, de "O Vencedor", levou as estatuetas de melhor ator e atriz coadjuvantes. Ele, barbudo mas simpático nos agradecimentos, ela, bastante surpresa com a conquista, apesar de correrem boatos de que teria sido advertida por pedir votos aos companheiros de academia.
Mas foi o veterano Kirk Douglas quem roubou a cena de Melissa, ao fazer suspense para revelar o nome da melhor atriz coadjuvante. Para fazer graça, Melissa reverenciou o veterano logo que subiu ao palco, antes de segurar a estatueta pela primeira vez.
"A Rede Social", principal concorrente de "O Discurso do Rei", levou três premiações: melhor roteiro adaptado, para Aaron Sorkin, melhor trilha sonora original, para Trent Reznor e Atticus Ross e melhor edição, para Angus Wall e Kirk Baxter.
Já "A Origem", de Christopher Nolan, ficou com quatro prêmios em áreas técnicas: cinematografia, mixagem de som, edição de som e efeitos visuais.
O dinamarquês "Em um Mundo Melhor" venceu na categoria melhor filme de língua estrangeira, anunciada pela eterna rainha Helen Mirren, que brincou ao anunciar os candidatos ao prêmio em um perfeito francês.
"Toy Story 3" confirmou o favoritismo como melhor filme de animação e deu a Randy Newman o Oscar de melhor canção original por We Belong Together.
"Alice no País das Maravilhas" levou os prêmios de melhor direção de arte e melhor figurino e "Lobisomem" ganhou por melhor maquiagem. "Trabalho Interno" bateu o brasileiro "Lixo Extraordinário" na categoria documentário, "Strangers No More" venceu como melhor documentário curta-metragem, "God of Love" foi escolhido melhor curta-metragem e "The Lost Thing" recebeu o Oscar de melhor curta-metragem de animação.
Frescor
Durante a cerimônia, os produtores fizeram diversas referências a imagens e músicas de filmes ganhadores do Oscar no passado, como "E o Vento Levou", "Star Wars" e "Titanic".
O sempre espirituoso Billy Crystal, que já apresentou a premiação sete vezes, reverenciou o comediante Bob Hope, que foi o primeiro a apresentar o Oscar na televisão norte-americana e permaneceu no cargo em 18 edições, o maior apresentador de todos os tempos da premiação.
Combinando velho e novo, Hollywood pretendia dar ao espetáculo um toque contemporâneo, com o intuito de atrair telespectadores mais jovens. Para isso, a academia abusou do frescor de Anne Hathaway e até levou tecnologia para o palco: o cantor Justin Timberlake usou um aplicativo de smartphone para iluminar o pano de fundo de Shrek, na apresentação dos prêmios para filmes de animação.
Nada novo para uma realidade já acostumada a se ver estampada nas páginas do Facebook. Mas vale tudo para manter acesa a chama da sétima arte em tempos de instantaneidade das mídias sociais, apesar de a verdade apontar que o sono sempre vem para quem tem que acordar cedo no dia seguinte à premiação. Com ou sem risadinhas da Rainha Branca ou smartphones.


