O discoporto, uma jogada de marketing
Barra do Garças entrou na mapa da mídia depois que Valdon Varjão que foi senador, deputado federal e três vezes prefeito da cidade criou o Discoporto, no alto da Serra Azul. O projeto de lei polêmico, apresentado em 1995, rendeu muita conversa na Câmara Municipal. Varjão, que na época era vereador, conseguiu o apoio de 13 colegas só dois votaram contra para criar a reserva destinada a receber os ovnis no futuro. Ao que consta, os ETs nunca deram o ar da graça no local. Em compensação, aos 80 anos, o velho político é a figura mais popular da cidade, procurado por jornais e tevês de todo o País para falar da sua invenção.
Uma vez, no programa de Jô Soares, o entrevistador perguntou a Varjão se ele já tinha visto extra-terrestres. Ele respondeu que não, mas afirmou que acreditava na existência dos homenzinhos verdes. Jô não perdeu tempo e tascou: ''Mas se o senhor nunca viu ETs, como pode acreditar neles?''. A velha raposa foi ainda mais rápida: ''Também nunca vi Deus, mas acredito no Senhor''.
O ex-prefeito, autor de vários livros sobre a história do município, deixa claro que criar o Discoporto foi uma jogada de marketing. Hoje, os turistas não passam pela cidade sem conhecer o local, encravado na encosta de um morro, e que só recebe do céu a visita de pássaros de vários espécies da rica fauna da região. Há pouco tempo, o artista plástico Genito criou painéis e um disco-voador de madeira para decorar o lugar. Também fez um ET recortado em tamanho natural, com espaço na cabeça para os visitantes encaixarem o rosto e fazer fotos ''de outro planeta''. Não há quem resista à brincadeira. Genito, que também é guia turístico, jura que já viu um ufo, mas sua maior aventura é levar turistas para praticar rapel nas cachoeiras. Pendurados a muitos metros de altura, alguns visitantes, de cabeça para baixo e atrapalhados com as cordas, pensam avistar mundos perdidos, ali mesmo na Serra Azul.





