O disco bizarro de Caetano
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quinta-feira, 05 de maio de 2011
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
O experimentalismo anticomercial de discos gravados nos anos 70 tem obtido grande destaque ao longo das edições do programa ''Som do Vinil'', apresentado por Charles Gavin no Canal Brasil.
A quinta temporada da atração estréia hoje, às 21h30, trazendo à tona o álbum ''Araçá Azul'' de Caetano Veloso. Como de praxe, o ex-baterista dos Titãs entrevista o próprio cantor, além de músicos e críticos para revelar os bastidores de sua criação e gravação.
Caetano conta que o título do álbum surgiu de um sonho e fala da participação especial de Edith Oliveira na faixa ''Sugar Cane Fields'' e da recepção do trabalho na época. ''A gravadora me dizia que o disco tinha batido recorde de devolução'', lembra ele. Uma das razões é que a segunda música (''De Conversa'') não era uma canção normal. ''Era uma faixa longa, só de grunhidos'', comenta, imitando os sons.
''Araçá Azul'' foi lançado no final de 1972 como o primeiro registro fonográfico do artista após sua volta do exílio em Londres, imposto pela ditadura militar. É considerado a mais radical experiência tropicalista já realizada. No livro ''Tropicália - A História de uma Revoluçao Musical'', o autor Carlos Calado assinala que ''além de uma certa influência dos então recentes trabalhos experimentais de Walter Franco e do instrumentista Hermeto Pascoal, a nostalgia das atitudes mais radicais da época da Tropicália orientou esse trabalho''.
As sessões de gravação foram realizadas num estúdio em São Paulo, durante as quais o compositor baiano improvisou e registrou vozes superpostas, sons de prato com garfo e canos de descarga. ''Faça o que você quiser'', teria dito Caetano a Rogério Duprat, ao convidá-lo a escrever o arranjo da faixa ''Épico'', no qual o maestro explorou o contraste entre imponentes intervenções orquestrais e uma espécie de repente gravado pelo músico nas calçadas da Avenida São Luís e da Rua Major Quedinho, na capital paulista, em meio ao barulho dos automóveis.
Na parte interna da capa, o compositor deixou uma advertência: Um disco para entendidos. O problema é que quase ninguém entendeu e provocou um fato inédito na história da nossa música popular: uma grande quantidade de pessoas voltou às lojas para devolver o LP (ainda não existia CD) - não por algum defeito técnico do produto, mas por rejeição ao seu conteúdo. O álbum foi reeditado com êxito em 1987.
Serviço
Programa ''Som do Vinil''
Quando - hoje às 21h30 com reprises amanhã às 13h30 e segunda-feira às 16 horas Onde - Canal Brasil


