Reconhecida nacional e internacionalmente pelos autorretratos nus, a artista plástica e docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Fernanda Magalhães questiona o que se tem valorizado como questões estéticas e o tipo de olhar construído pela sociedade atual. "O corpo sempre foi um 'lugar' de inscrição forte de nossas subjetividades, pois ele 'diz' muita coisa. E o nu é recorrente na arte. Diante disso, temos que analisar o que é, afinal, esse corpo considerado potente, bonito e atraente de hoje? O incômodo, geralmente, se dá pelo que é diferente do padrão formatado e normatizado. Corpos que são tabus – gordos, transexuais, anões – não devem, então, ser mostrados pois causam choque", pontua ela, que tem vários trabalhos questionando a imagem da mulher gorda, bem como a diversidade em vários aspectos.
Para ela, o mesmo acontece com o ânus, "uma parte do corpo com a qual a gente se relaciona o tempo todo, mas não podemos falar, mostrar, pois é coisa de bicho, animalesco". "Àqueles que dizem 'Para quê falar de cu?' eu digo 'Por que não falar de cu?' Nosso corpo é cheio de inscrições e o cu, assim como outras partes do corpo, são carregados de simbologias. Mas quem sente repulsa é porque considera algo sujo, lugar de prazer proibido e inconfessável. A arte é para isso, levantar questões, afetar e incomodar. E se isso foi na veia, é preciso haver reflexão. Arte não é só um quadro bonito que combina com o sofá. Arte também é mostrar que temos sombras, dores, envelhecimento, o 'feio'. Por que não falar dessas outras coisas que ultrapassam a 'beleza' institucionalizada?", questiona. (M.T.)

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