O dia em que os prédios fugiram das cidades
Carta de avô a seu neto mostra como o mundo mudou a partir do dia em que as edificações de concreto e tijolo ganharam vida própria
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Carta de avô a seu neto mostra como o mundo mudou a partir do dia em que as edificações de concreto e tijolo ganharam vida própria
Marcos Losnak/ Especial para a Folha 

Você encontra uma carta que seu avô escreveu muitos anos atrás. Uma carta que ficou perdida no tempo. Imagine que finalmente ela chega em suas mãos.
Você abre a carta e começa a ler. Seu avô relata o que aconteceu com a vida no planeta Terra antes de você ter nascido. Acontecimentos que explicam o mundo em que você vive hoje.
Explica a forma da casa em que reside, a maneira como o alimento aparece na mesa, como você toma banho, o tipo de roupa veste, os tipos de brincadeiras com os amigos, a proteção dos perigos, enfim, a relação com o mundo.
No livro “O Dia em Que Meu Prédio Deu no Pé”, uma carta como essa é apresentada como revelação. Escrita por Estevão Azevedo com ilustrações de Rômulo D’Hipólito, a obra imagina uma sociedade invertendo a lógica usual de futuro.
“O Dia em Que Meu Prédio Deu no Pé” traz a carta de um avô ao seu neto. Nela ele esclarece como o mundo mudou a partir do dia em que as edificações de concreto e tijolo, ganharam vida própria e se rebelaram.
Primeiro, um prédio de quatro andares começou a andar. Todos moradores deixaram o prédio sem nada entender. Depois foi a vez de um prédio de 15 andares. Em seguida casas comuns. A população nunca havia visto algo parecido. As estradas eram ocupadas por prédios e casas caminhando, fugindo dos humanos.
Sem ter onde morar, as pessoas passaram a viver sob as árvores, dormindo em rede, perto dos rios, fazendo fogueiras. As cidades deixaram de existir.
Sem saber como sobreviver nesse novo mundo, a população precisou solicitar o auxílio dos indígenas para sobreviver. Os indígenas tinham um conhecimento acumulado ao longo de milênios de sobrevivência no mundo natural.
A carta do avô ao neto termina com as seguintes palavras: “Não tenho mais nenhum fio de cabelo, agora que praticamente tudo virou floresta. Não sou mais o mesmo. Quase ninguém é. Para sorte de todos, gente de toda cor, toda crença e todo jeito aprendeu com os povos que sempre tinham tratado a natureza com respeito.”
SERVIÇO:
“O Dia em Que Meu Prédio Deu no Pé”
Autor – Estevão Azevedo
Ilustrações – Rômulo D’Hipólito
Editora – Companhia das Letrinhas
Páginas – 40
Quanto – R$ 67,90


