O destino bate à porta
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de agosto de 2001
Celso Mattos<BR>de Londrina 
Don Roos. Se esse nome não lhe soa familiar é porque você não assistiu a ''O Oposto do Sexo'', aquela comédia ácida com Christina Ricci que chocou o público com seu humor mordaz. Em seu segundo filme ''Mas que o Acaso'', que acaba ser lançado em vídeo, o cineasta mantém sua veia humorística, porém mais suavizada. Mas sua visão nada peculiar sobre o homem continua afiada como a lâmina de uma navalha.
A exemplo de seu trabalho de estréia, ''Mais que o Acaso'' também tem como fio condutor uma mentira que começa com uma simples troca de passagem num aeroporto. Ben Affleck é Buddy Amaral, um publicitário metido a conquistador e que jamais passaria num teste de bafômetro. Enquanto espera por um vôo atrasado (que novidade, não é mesmo?), conhece Mimi (Nastasha Henstridge) e para não perder uma tremenda noitada, ele oferece seu bilhete para Greg Janello (Tony Goldwin), marido e pai dedicado que está louco para voltar para casa.
No dia seguinte, Buddy descobre que o avião explodiu, matando todos os passageiros. Sentindo-se culpado, ele encontra mais um motivo para se entregar de vez à bebida. Mas um ano depois, o destino se encarrega de colocá-lo frente a frente com Abby (Gwyneth Paltrow), a viúva de Greg. Os dois se aproximam e se apaixonam, mas Buddy não tem coragem de lhe contar a verdade. Esse dilema é a espinha dorsal do filme.
Apesar de ser um tema bem batido, o que prende a atenção do telespectador é forma realista como Roos conduz a história, sem nunca apelar para soluções mágicas ou piegas. ''Mais que o Acaso'' é um bom filme, mas não provoca o mesmo impacto de ''O Oposto do Sexo'', mas também não chega a abalar o talento de Don Roos. Laçamento da Lumiére. Duração: 106 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
Apesar do excesso de doçura, este filme conta uma história de amor que a pena conferir
O Caminho para Casa
O aclamado diretor de ''Lanternas Vermelhas'' e ''Nenhum a Menos'', Zhang Yimou mantém as tradições orientais em ''O Caminho para Casa'', vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. A exemplo de ''Nenhum a Menos'' o cineasta volta a homenagear a figura do professor com o drama de um jovem que sai da cidade grande para se tornar o único professor de um vilarejo no interior da China.
Ele acaba se apaixonando por uma mulher com quem se casa. A história de amor é contada em flashback pelo filho que retorna à aldeia para o enterro do pai. Apesar do excesso de doçura, sobretudo no uso da trilha sonora, vale a pena conferir esse belo filme. O presente é apresentado em preto-e-branco e o passado em cores fortes e sedutoras, descortinado toda a beleza do interior da China. Lançamento da Columbia. Duração: 90 minutos.
Terence Stamp é o protagonista deste ótimo thriller de Steven Soderbergh
O Estranho
Antes de ser consagrado com o Oscar de melhor diretor por ''Traffic'', Steven Soderbergh fez ''O Estranho'' (The Limey), que chegou no Brasil apenas em alguns cinemas das grandes capitais. Com Terence Stamp e Peter Fonda nos papéis principais, o filme conta a históra de Wilson (Stamp) que vai a Los Angeles investigar o assassinato da filha. Mais uma vez Soderbergh prova que é um dos melhores diretores contemporâneos.
Como um Picasso, o cineasta estilhaça tempo e ação em ''O Estranho'', transformando o filme numa pequena arte cubista sobre crime e punição. O enredo é compacto e eficiente, com um deslumbrante roteiro de Lem Dobbs. Seguro, imaginativo e complexo, ''O Estranho'' é um thriller de primeira linha. Lançamento da Europa. Duração: 89 minutos.


