O despertar de um novo olhar
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segunda-feira, 01 de junho de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Não é novidade que os alunos adoram atividades fora da sala de aula, principalmente quando essa experiência envolve passeio e conhecer um lugar diferente. Na última sexta-feira, alunos da Escola Municipal Hikoma Udihara visitaram a exposição "As cores pela espátula de Kubo", do artista Carlos Kubo, promovido pelo Ministério da Cultura e Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii, que segue até dia 13 de junho. A mostra reúne 23 quadros do artista que investe em cores vibrantes e traços orientais.
Melhor que observar as obras do artista é receber explicações dele próprio. Pois foi exatamente o que aconteceu. Carlos Kubo e toda sua simplicidade encantaram os alunos do quinto ano da escola. Recepcionados pelo artista, que não mediu esforços para que as crianças mergulhassem no universo da pintura, olharam atentamente cada quadro, suas nuances e traços. "Quero que vocês observem todos os quadros e escolham aquele que gostaram mais ou que, de alguma forma, chamou mais a atenção. Depois, vocês irão fazer uma releitura desse meu quadro. O que isso quer dizer? Que irão desenhar e pintar o que vê lá, mas do seu jeito, não precisa ser igual. Não existe certo ou errado", explicou o artista, formado em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo e radicado há dois anos em Londrina.
Curiosos, os estudantes perguntavam a todo momento o que cada pintura significava, principalmente sobre as obras com desenhos abstratos. "Se você olhar bem na tela vai perceber que consegue identificar alguma coisa que já viu algum dia na sua vida", disse o artista. Rapidamente as crianças começaram a citar nomes de objetos e animais.
Escolhido o quadro de preferência, é chegada a hora de fazer a releitura. Em grupos ou individualmente, paravam em frente à tela para, então, dar asas à imaginação. Munidos de lápis de cor e giz de cera, cada um ao seu estilo, iniciaram timidamente os traços até que o inusitado aconteceu: Kubo sentou-se no chão junto a elas e deu várias dicas. "Colorindo mais escuro as pontas desse traço dá a impressão que o bambu é redondo. É como se fosse uma sombra por causa da luz do sol", explicou, enquanto pintava. E assim foi com todas elas; em cada roda uma dica diferente.
Terminada a atividade, foi momento de bater papo e fazer perguntas. Curiosidades do tipo como e quando o artista aprendeu a pintar, sua inspiração para os desenhos, valor do salário e até mesmo para qual time de futebol torce. Prontamente Kubo respondeu a todas elas, sempre com muita simpatia e bom humor. "Pintar é um aprendizado diário; não tem muito segredo. É preciso desenhar sempre para ganhar experiência. Se errar, faz de novo e recomeça", disse, acrescentando que começou a desenhar com a idade de nove anos e a pintar alguns anos depois. "Tinha mais ou menos a idade de vocês e comecei assim, após uma atividade que a professora deu em que fomos num parque desenhar. A inspiração vem do coração; pergunte que ele vai dizer. Mas isso não funciona para as provas; tem que estudar, viu?", brincou.
O resultado da visita não poderia ser melhor. Surgiram vários desenhos, alguns, inclusive, com traços bem elaborados. Mas, segundo a professora Marta da Silva Bevilaqua, eles aprenderam além, e da experiência, podem surgir outros artistas. "Eles sempre estudam sobre um determinado artista, mas não têm contato com a pessoa; vivem numa realidade distinta. Aqui puderam conversar com o Carlos Kubo e ver que é uma pessoa normal e que, se quiserem, podem ser como ele um dia. Vou usar a ideia da releitura da tela e realizar outras atividades inspiradas em suas obras. Além disso, pretendo ensinar mais sobre a biografia dele", contou, entusiasmada.
Para Kubo, mais que despertar novos talentos, o contato com as crianças é importante por despertar um olhar diferente. "Se vão tornar-se pintores é uma outra questão. Mas, com essa experiência, abre-se um novo mundo e podem vir a ser apreciadores de arte."
A visitação faz parte do Programa Folha Cidadania, projeto de responsabilidade social do Grupo Folha, que visa incentivar a leitura nas crianças com o objetivo de reduzir o índice do analfabetismo funcional. As escolas municipais Corveta Camaquã e Anita Garibaldi também participaram da visitação em outros dias.
Serviço:
Exposição "As cores pela espátula de Kubo"
Quando Até 13 de junho, das 9h às 18h
Onde - Showroom da Yticon (Av. Ayrton Senna, 425)
Quanto - Entrada gratuita


