‘‘Bonitinha, mas Ordinária’’
volta aos palcos
dirigido por Moacyr Góes
DivulgaçãoCena de ‘‘Bonitinha...’’: conflito moral à flor da pele
De Curitiba
A divisão entre o amor e uma proposta milionária pode ser considerada um autêntico clichê. Entretanto, nas mãos hábeis do dramaturgo Nelson Rodrigues se transforma na tragédia carioca ‘‘Otto Lara Resende ou Bonitinha, Mas Ordinária’’. A versão do diretor Moacyr Góes estréia hoje no Festival de Teatro de Curitiba. No palco do Guairão, 17 atores atravessam o universo da paixão, desejo, sexo, dinheiro e corrupção, marcante em toda a obra do dramaturgo carioca.
A trama gira em torno das hesitações do assalariado Edgard, forçado a aceitar o dinheiro oferecido pelo poderoso doutor Werneck em troca de um casamento com a filha do magnata. O motivo era abafar um estupro sofrido pela jovem, circunstância que impediria um casamento convencional na hipócrita sociedade.
Edgard, entretanto, é apaixonado pela suburbana Ritinha. Nelson soube como colocar o homem correto, de formação moral sólida, frente a uma decisão difícil: o amor vivido na miséria ou uma vida fácil, restrita à materialidade.
A famosa frase do escritor Otto Lara Resende atribuída no texto a Edgard – ‘‘o mineiro só é solidário no câncer’’ – era para Nelson a grande personagem da peça. Se o fato é verdadeiro, Edgard pode ser mau caráter. A frase cresce à medida que se aguça o conflito – armado pelo autor de forma basicamente moral.
‘‘Bonitinha...’’ é a única peça do dramaturgo que vislumbra um final feliz, com a morte da frase de Otto.
FICHA TÉCNICA
Texto: Nelson Rodrigues
Direção: Moacyr Góes
Elenco: Leon Góes, Thelma Reston, André Valli, Helena Ranaldi, Natália Lage, Oswaldo Loureiro e outros
Figurinos: Moacyr Góes e Luciana Maia
Cenário: José Dias
Iluminação: Maneco Quinderé
Trilha sonora: Marcos Ribas de Farias

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