Toda fotografia antiga é um artigo de luxo para o artista paulistano Reynaldo Candia. Sua pesquisa tem como base imagens captadas e reproduzidas na era pré-digital, das quais ele se apropria para recortar e dispor em colagens utilizando materiais diversos como suportes.
Uma mostra de seu trabalho poderá ser apreciada a partir de hoje, às 19h, em Londrina, com a abertura da individual ''No fundo a memória é um desapego'' na Casa de Cultura da UEL/Divisão de Artes Plásticas. Na ocasião, Candia vai ministrar uma palestra sobre seu processo de produção.
A exposição reúne as séries ''à memória'' e ''Talhados''. A primeira, produção recente do artista, traz uma bandeira com duas fotos e tem inspiração na estética de movimentos vanguardistas do início do século 20 como dadaísmo e surrealismo. A segunda, concebida em 2002, reúne 20 fotografias registradas em um açougue.
''As fotografias dessa segunda série estão penduradas uma distante da outra, formando um painel onde se cria certa vertigem pois é feito de vários ângulos do mesmo plano. Esse trabalho é um dos poucos fotografados por mim, já que é muito raro eu utilizar as minhas próprias fotografias. Eu as compro em feiras de antiguidades, sebos e às vezes ganho de parentes e amigos'', diz ele.
O interesse e a preferência pelas imagens alheias visa, segundo Reynaldo, ''discutir a memória que elas possuem, a história ou o contexto onde foram feitas''. Incomodado com a rápida descartabilidade das coisas, proporcionada sobretudo pela internet, o artista conta que tem trabalhado em uma nova série na qual utiliza livros antigos e fotografia. ''Hoje em dia, é muito difícil você ter uma Barsa (enciclopédia) em casa'', diz.
Neto e filho da geração de imigrantes espanhóis que vieram ao Brasil, Reynaldo começou a se interessar por fotografia ainda criança, influenciado pelo pai que adorava fotografar os eventos da família. Já adulto, cursou Comunicação Social e Artes Plásticas. Fora do mundo acadêmico, frequentou vários cursos e foi assistente da artista Marcia Xavier. Em meados deste ano mostrou alguns trabalhos na coletiva ''Até meio Kilo'', realizada na Casa de Cultura da UEL.

Serviço:
- Exposição 'No fundo a memória é um desapego', do artista Reynaldo Candia
Quando - De hoje a 24 de novembro, de segunda a sexta das 8h às 12h e das 14h às 18h, e no segundo sábado do mês das 11h às 18 horas
Onde - Casa de Cultura da UEL/Divisão de Artes Plásticas (Av. JK, 1973)
Quanto - Entrada gratuita
Informações - (43) 3322-6844

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