O Desafio Do Napster
Não tem jeito. Assim como o vinil deu lugar ao CD, anos atrás, agora chegou a vez da Internet tomar o seu espaço como a grande virada na forma de ouvir música. São os muitos sites que permitem o download de músicas pela rede. Tudo começou com o MP3 que permite formatar no computador ou em MDs (mini-discos) as músicas escolhidas. Esse sistema, além de possibilitar ao usuário armazenar um número muito maior de músicas do que o CD permite, oferece a qualidade estéreo. Para os aficcionados é um deleite.
Toda essa facilidade está criando polêmica no mundo inteiro. O Napster é um programa que pode ser instalado gratuitamente em qualquer computador e permite a troca de arquivos musicais (para acessar é só digitar www.napster.com). Esse programa deixou os empresários da música mundial de cabelos em pé. Como receber os direitos autorais dessas músicas?
Criada a celeuma, a briga atualmente rola solta nos tribunais americanos, dividindo a classe. Músicos como os do grupo Mettalica são terminantemente contra e os Smashing Pumpkins acabam de distribuir 25 cópias de seu novo disco Machina 2 - The Friends & Enemies of Modern Music em sites como o Napster. Os roqueiros tomaram essa atitude como um ato de protesto contra a sua gravadora, a Virgin, lançando um disco por conta própria que não será vendido em loja e anunciando o fim da banda.
Mas a briga pelos direitos autorais dos artistas que são consumidos gratuitamente pela Internet está com os dias contados. As grandes gravadoras como a Sony, encontraram uma maneira de garantir estes direitos. Já existem mais de 25 sites no mundo inteiro onde os artistas recebem pelo tempo que foram ouvidos ou copiados na rede. No Brasil, essa tecnologia deve chegar a partir da semana que vem.
A Everad, empresa que desenvolveu a tecnologia responsável pela garantia dos direitos autorais aos artistas consumidos na Internet, já está instalada no país. Através do novo sistema, as audições são criptografadas e auditadas. A remuneração vem dos anunciantes que ficam aparecendo na tela, em formato de bunners eletrônicos, enquanto o internauta estiver ouvindo a música.
O cantor e compositor Lobão é um dos artistas que vai participar do Everad. Ele acredita que a discussão em torno do consumo virtual está chegando ao fim. Desde a invenção de Gutenberg que a questão dos direitos autorais vem sofrendo alterações, adaptações para que ninguém saia perdendo. Agora não vai ser diferente. Lobão acredita que existe uma neofobia, que as pessoas ficam apavoradas com as novidades surgidas no mundo virtual, mas, segundo ele é uma questão de tempo para as pessoas se acostumarem.
Para o diretor da Rádio Educativa do Paraná, José de Melo, independentemente do surgimento de programas que garantam os direitos autorais aos músicos, o consumo de música virtual é uma grande saída para os artistas novos que ainda não tiveram chance de divulgar seus trabalhos. Esse é um esquema que veio para ficar. Na Internet, não há muito controle mesmo, e esse é o lado interessante dela, acaba com o monopólio. Os artistas que não têm apoio das grandes gravadoras podem divulgar o seu trabalho e serem ouvidos no mundo inteiro.





