Simone Mattos
Investigar o início do mundo é o desafio proposto pela artista plástica Delma Godoy, que inaugura hoje a sua exposição ‘‘Transmigração’’, em Curitiba. Com fragmentos de esculturas ela constrói grandes painéis, que chegam a ter quase cinco metros de altura. ‘‘É uma brincadeira lúdica que mostra a minha eterna observação sobre a natureza, como os caminhos do vento, as ondas do mar e o trabalho da água nas rochas’’, explica.
Através de uma mistura inusitada que reúne 50 tipos de minerais brasileiros com argila extraída de solo paranaense, aquecida a uma temperatura de 1300 graus, Delma obtém o seu material de trabalho. ‘‘É diferente da cerâmica pela textura, que se assemelha mais a uma pedra’’, comenta.
O resultado é fruto de quatro anos de pesquisas com materiais orgânicos. Delma é atualmente a única pessoa no Brasil que utiliza esta combinação de elementos em suas obras. Com cada 20 ou 30 peças elaboradas a partir desta mistura, ela constrói um painel.
As oito esculturas presentes na exposição refletem o fascínio da artista pela natureza. ‘‘Eu faço apenas uma releitura, já que a própria natureza é uma escultura’’, afirma.
Curitibana, Delma mora no Rio de Janeiro há 25 anos, onde desenvolve grande parte de suas pesquisas. ‘‘O nome da mostra, ‘Transmigração’, reflete também o retorno às minhas origens, pois esta é a primeira vez que estou expondo em Curitiba, desde que eu saí daqui.’’
Após concluir vários cursos de cerâmica no Rio e em Curitiba, Delma fez uma especialização em Paris. Seus trabalhos já foram expostos em Nova Iorque, Paris e Amsterdam.
A exposição ‘‘Transmigração’’ de Delma Godoy, será inaugurada hoje, às 18 horas, no hall da Secretaria de Estado da Cultura (Rua Ébano Pereira, 240). A mostra poderá ser visitada até o dia 8 de agosto.

mockup