O delírio pictórico de Siron Franco
O DELÍRIO PICTÓRICO DE
SIRON FRANCO
Exposição do artista plástico Siron
Franco mostra como transformar em arte as
visões de um delírio febril em Milão
Simone Mattos
Reprodução
O goiano Siron Franco criou esta exposição
depois de ter tido visões em Milão e por
isso mesmo chamou todos os quadros de
Visão, como o 15ª Visão, abaixo
Ainspiração veio da imagem vista pela janela de um quarto de hotel em Milão, em frente à Catedral Duomo. Os quadros foram pintados meses depois, num ateliê em Salvador. O trabalho realizado pelo premiado artista plástico goiano Siron Franco pode agora ser visto, em Curitiba, numa exposição que reúne cerca de 20 obras na Simões de Assis Galeria de Arte.
O artista lembra que no ano passado ficou uma semana preso no quarto do hotel italiano, vítima de uma forte febre que o fazia delirar. Em meio a estes devaneios, a imagem da catedral gótica marcou a sua memória e se transformou na mostra Visões, que reúne obras em óleo sobre tela com encrustrações de ouro ou com a técnica de ouro soprado.
Ele acha que os desenhos que trazia na lembrança não são exatamente os mesmos que acabaram sendo reproduzidos nos quadros. Sobraram apenas o impulso e as sensações, explica.
Sua intenção agora é que a sua exposição seja vista pelo maior número possível de pessoas, incluindo crianças. Peço às professoras que levem seus alunos para ver a mostra. Gosto muito quando as crianças vêem meu trabalho, comentou.
Dono de um extenso currículo profissional, Franco iniciou nas artes plásticas aos 12 anos e já realizou 57 exposições individuais no Brasil e no exterior, além de mais de uma centena de participações em coletivas.
Reprodução16ª Visão, óleo sobre tela com o tamanho de 100 cm X 130 cm, de 1997
Entre muitas obras suas que estão espalhadas pelo Brasil, ele cita o quadro No Fundo do Rio, doado ao Museu de Arte de Londrina. Acho que o artista tem que colaborar, é um privilégio para ele e para o público que suas obras possam ser vistas, afirmou o artista.
Ele comentou que o fato de ter sido jovem durante a época de maior repressão às artes ocorrida no Brasil, no final dos anos 60, fez com que sentisse a necessidade de divulgar o máximo possível os seus trabalhos. Eles são feitos para serem vistos, completou.
Conhecido em vários outros países por suas frequentes viagens, exposições e projetos, Franco afirma que costuma fazer de sua vida uma eterna mistura entre férias e trabalho. Como exemplo, citou a obra que está desenvolvendo em Berlim, onde trabalha na reconstrução de duas praças da cidade.
Siron Franco também falou sobre sua participação na festa dos 50 anos de direitos humanos, que acontece no dia 25 de julho no National Center of Arts, no Canadá. Na ocasião, estarão presentes personalidades de destaque no cenário mundial das artes, como Peter Gabriel, Gilberto Gil e Walter Moreira Salles.
Gosto muito
quando as crianças
vêem meu trabalho
Sempre engajado nas realidades do Brasil e do mundo, Franco desenvolve um amplo trabalho social. Uma das recentes obras finalizadas pelo artista foi o Monumento às Nações Indígenas, construído na periferia de Goiânia e cuja forma externa imita o mapa do Brasil.
Ele contou também que foi fortemente sensibilizado por um caso de morte por apedrejamento, que ocorreu recentemente no Irã e cuja notícia acompanhou pelos telejornais. Me marcou tanto que elaborei uma instalação usando pedra, vidro e água, conta. A obra foi elogiada pela crítica e acabou sendo exposta num centro de artes do Canadá.
A eterna ligação com a vida e a tentativa de interferir no processo social e político são traços marcantes na vida e na obra do artista. Segundo a crítica especializada, a obra de Franco é sempre temática, ou seja, fala de algo que está fora dela.
A mostra Visões, inaugurada ontem, prossegue até o dia 6 de junho, na Simões de Assis Galeria de Arte (Alameda Dom Pedro II, 155, Batel, Curitiba, telefone (041) 232-2315 ou 233-3389.





