O cult da vez
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de janeiro de 1998
Nelson Sato Londrina 
Foi uma canja na MTV, no mês passado, que deixou todo mundo de cara. Até então, Júpiter Maçã (pseudônimo de Flávio Basso) era um solene desconhecido fora de Porto Alegre - mesmo recebendo citações aqui e ali em páginas de cultura pop da grande imprensa.
Seu disco de estréia saiu há um ano pelo selo local Antídoto passando batido pela maioria dos mortais ligados em música. Mas bastou a breve e psicodélica aparição na telinha, para o público disputar em vão e na correria os poucos CDs disponíveis nas lojas.
A maioria dos convertidos ficou a ver navios, já que o primeiro álbum-solo do ex-vocalista da banda gaúcha Cascavelettes teve sua tiragem independente esgotada. A boa notícia, porém, é que a partir de março o disquinho ganha distribuição nacional pela gravadora PolyGram graças a uma parceria do selo gaúcho com a multinacional.
Sétima Efervescência foi produzido por Egisto 2 e inclui participações de músicos da vanguarda pop porto-alegrense e de uma orquestra de sete peças. No disco e em shows, Júpiter é acompanhado pelo baixista Júlio Cascaes e pelo baterista Marcelo Gross. Seu trabalho reverbera psicodelismo, pitadas de Jovem Guarda e migalhas de mod britânico.
Nas letras, o imaginário lisérgico convive com um lirismo apimentado e o nonsense de versos como Hey querida, você é demais! / Hey você, querida superhist / Um cheese burguer não é um hot-dog / Do mesmo jeito que eu não sou Mr Frog / Mas quem é Mr Frog?.
Júpiter tocou recentemente em Curitiba. É a grande revelação do pop nacional na temporada. Na categoria de melhor disco de 97, entre os lançamentos brasileiros, só perde para o fabuloso segundo álbum da Pelvs (leia entrevista com a banda carioca na próxima semana). A seguir, confira o papo com a figura.Folha O seu disco saiu no final de 96, mas só agora está sendo procurado nas lojas. A que você atribui essa repercussão tardia?


