A escultora paranaense Eliane Prolik participa, no Centro Itaú Cultural, em São Paulo, da exposição ‘‘O Objeto, Anos 90’’. Junto com outros nove artistas brasileiros, Eliane foi convidada a mostrar um trabalho que apresente objetos retirados do cotidiano para dar uma nova significação ao dia-a-dia e à passagem do tempo.
A exposição é uma das três envolvendo o mesmo tema em instituições diferentes. As outras duas são: ‘‘O Objeto, Anos 60-90’’, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; e ‘‘Por que Duchamp?’’, no Paço das Artes em São Paulo. Ao todo, participam das exposições 52 artistas plásticos.
Por caminhos distintos e complementares, as três instituições discutem, no mesmo período, a questão do objeto como fonte de produção artística que, desde o começo do século, com Duchamp, atravessa as várias correntes das artes plásticas, chegando hoje como um dos grandes temas da arte contemporânea.
A afinidade entre as exposição fez com que as três instituições estabelecessem uma grande parceria para intensificar a exploração deste instigante e variado significado dos objetos do cotidiano na obra de arte. O Itaú Cultural foi buscar na década de 90 este debate, enquanto o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro se fixou em uma abordagem histórica, que abrange basicamente os anos 60 e 70. Já o Paço das Artes tenta responder à questão ‘‘Por que Duchamp?’’, através da análise dos mais prestigiados curadores sobre a produção de dez artistas nacionais consagrados.
A parceria entre as instituições vai além da questão conceitual. Ações conjuntas permitirão, por exemplo, que os visitantes de cada exposição conheçam as outras, através de home theaters. Além disso, eventos paralelos - como debates e espetáculos - serão compartilhados, pois poderão ser levados de uma instituição para outra, ou promovidos em conjunto.
Na exposição chamada de ‘‘Naquilo’’, a escultora Eliane Prolik preparou um embate entre o corpo e o objeto. ‘‘Trabalho o corpo e a sua relação com o cotidiano e, o trânsito deste corpo com os objetos. Amplio a discussão para o corpo da escultura e o nosso próprio corpo.’’
Como uma instalação, Eliane usa 15 pias, seis bidês, conjuntos de pratos de porcelana, tanques, cobertores e aquecedores para promover o embate corporal. ‘‘São objetos de uma casa, onde a cor branca e o material cerâmico refletem a questão da limpeza e o cheiro de canela traz à tona a presença humana. São as
coisas e o dentro delas.’’Orlando AzevedoEliane Prolik reúne bidês numa instalação que remete à limpeza através dos objetos em porcelana brancaElisa Marilia Carneiro

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